
| MANOEL DE OLIVEIRA: O MODERNO PARADOXAL |
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Este seminário propõe uma revisão crítica do cinema de Manoel de Oliveira, procurando analisar os mais importantes elementos formais, conceptuais e temáticos que estruturam a sua obra, fazendo emergir, por um lado, algumas das configurações mais características da estética do autor e evidenciando, por outro, o modo como a sua produção cinematográfica dialoga com o contexto histórico em que intervém.
Manoel de Oliveira tem a idade do cinema. Contando quase cinquenta filmes em pouco menos de oitenta anos de trabalho, tendo acompanhado activamente as principais mutações técnicas e estéticas da criação cinematográfica (a passagem do mudo ao sonoro, do preto e branco à cor ou do registo fotográfico ao vídeo), o percurso de Manoel de Oliveira pode, na sua singularidade, ser visto como uma síntese da história do cinema. De Douro, Faina Fluvial (1931), primeiro filme do autor, a Cristóvão Colombo – O Enigma (2007), sua mais recente realização, a obra de Manoel de Oliveira concilia alguns dos principais antagonismos que marcaram as querelas cinematográficas ao longo de todo o século XX. Fazendo confluir duas concepções de vanguarda, nela se confrontam uma primeira modernidade, em que a “sétima arte” pretende fundar uma linguagem específica, demarcando-se das outras disciplinas artísticas para se definir como uma “arte pura”, e uma segunda modernidade, em que o cinema, deixando de procurar a emancipação na ruptura e reconhecendo a especificidade da sua impureza, se propõe como uma “síntese de todas as artes”.
Estas duas orientações efectuam-se, em Oliveira, numa consolidação das relações do cinema com a literatura e com o teatro, mas também com a pintura e com a música, aprofundando as correspondências através da transgressão de categorias, como o documentário e a ficção, da hibridação de modelos narrativos ou da recusa tanto do realismo como do naturalismo, em vista de uma objectividade da representação cinematográfica.
Este seminário pretende, assim, desenvolver uma abordagem transversal da heterogénea filmografia de Manoel de Oliveira e aprofundar as questões fundamentais do seu pensamento cinematográfico, apoiando a reflexão na análise de planos e sequências paradigmáticos e promovendo o debate entre os participantes.
Concepção/orientação: António Preto
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