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Projecto
A fachada mais extensa da Casa desenvolve-se ao longo da Rua de Serralves apontando para Sul, face ao jardim. No interior encontram-se três pisos diferentes. No piso enterrado encontram-se a cozinha, a despensa e os locais de serviço. No piso térreo, encontram-se todas as salas de estar, de jantar e átrios e no primeiro piso a zona privada. Sobre a entrada principal encontramos uma pala em vidro que se articula com a porta e um alargamento semicircular do muro do Parque. A outra entrada revela um pátrio encastrado entre os volumes do edifício e permite uma articulação e distribuição do espaço ao longo do eixo maior da casa. No interior, caracterizado pela pedra lioz, é do Hall que podemos ter uma leitura completa do espaço e delimitar as relações com o exterior onde a cor suave do reboco, sob o efeito da sombra, parece acentuar as variações de volume
Para o interior da Casa de Serralves, composto por alguma da mobília da Villa Velleda, contribuíram os mais importantes nomes europeus da área do desenho do mobiliário. Émile Jacques Ruhlmann projectou a sala de jantar o hall, o salão, o vestíbulo e sala de bilhar, René Lalique foi o responsável pela clarabóia do tecto do hall do primeiro andar enquanto Edgar Brandt criou o portão de ferro forjado que separa a zona comum da privada. Participaram também Ivan Da Silva Bruhns, Leleu, Jean Perzel e Raymond Subes, para além do já citado Alfred Porteneuve que escolheria a cor da casa. Destacam-se também pormenores como as casas de banho forradas a mármore, o soalho em madeiras exóticas e o hall de duplo pé direito. Grande parte desta mobília só chegou à casa quatros anos após a sua construção e hoje encontra-se dispersa depois de vendida em leilões.
A autoria do projecto arquitectónico da moradia é controversa. Sabe-se que o nome de Marques da Silva, afamado arquitecto do Porto de então, esteve estreitamente associado à obra, ao longo de todo o seu percurso, embora o cunho dos seus trabalhos de referência seja diferente do gosto patenteado em Serralves.
Sabe-se também que terão sido decisivos, para o traçado geral da moradia, os desenhos e alçados do arquitecto francês Charles Siclis, conservados no arquivo da Fundação, nos quais se reconhece a casa efectivamente construída. Acresce a intervenção dos arquitectos e decoradores da casa Ruhlmann, a quem foi confiado o projecto de interiores e que por essa via terão induzido adaptações exteriores.

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