CALENDÁRIO
Auditorio: ciclo no ambito da exposicao O corpo como utensilio. O corpo como materia

PROGRAMAÇÃO DO AUDITÓRIO INTEGRADA NA EXPOSIÇÃO “O CORPO COMO UTENSÍLIO. O CORPO COMO MATÉRIA”

27 OUT-10 DEZ 2006
AUDITÓRIO DE SERRALVES

No âmbito da apresentação, na biblioteca do Museu de Serralves, da exposição O CORPO COMO UTENSÍLIO. O CORPO COMO MATÉRIA, o Serviço de Artes Performativas da Fundação de Serralves programou um conjunto de actividades de cinema, vídeo, performance, música, teatro, dança e escultura, a apresentar no Auditório de Serralves entre 27 de Outubro e 10 de Dezembro. Está ainda agendada a realização de conferências e um seminário que conta com a colaboração do Serviço Educativo da Fundação.

27 OUT (SEX)

22h00 PERFORMANCE / MÚSICA
”THE WITHDRAWAL FROM CONVERSATION, THE RETURN TO THE OCEANIC, THE WEIGHT OF THE BREAST: 20 WOMEN PLAY THE DRUMS TOPLESS”
DE FABIENNE AUDÉOUD & JOHN RUSSELL [FR/UK]

Fabienne Audéoud, estudou na Guildhall School of Music and Drama & Goldsmiths College, Londres, e tem apresentado os seus vídeos e performances para voz em exposições colectivas como 'Performing Bodies' (Tate Modern e Moderna Museet, Estocolmo), 'Deeply Buried' (South London Gallery), 'Love Sick' (Bergen's Kunstvererig), 'Feuilleton' (Marres, Maastricht), 'Videos de Ocasión' (Fundació Antoni Tàpies, Barcelona), 'Lost and Found' (Stadsschoubourg Theatre, Amesterdão) e 'Viinistu 2004' (Estonia). Em 2001, recebeu o prémio da Belfast Ormeau Bath Gallery pela performance 'A lecture on my face'. Desde 2000, tem vindo a colaborar regularmente com John Russell, membro fundador do grupo de artistas BANK. “The Withrawal of Conversation; The Return to the Oceanic/The Weight of the Breast” para 20 mulheres bateristas em topless, é baseada numa ideia de Wayne Winner, e aparece na continuação de uma longa tradição de performance, onde o imediatismo do corpo da mulher é usado para criticar o olhar do homem, como no trabalho de artistas como Vanessa Beecroft ou Valie Export.


23h00 CINEMA/VÍDEO
EXIBIÇÃO DE FILMES E VIDEOS DA COLECÇÃO DA FUNDAÇÃO DE SERRALVES

- Vito Acconci, "Push" (1970)
- Joan Jonas, "Left Side Right Side" (1972)
- Wojciech Bruszewski, "YYAA" (1973)
- Richard Serra, "Untitled" (1968)
- Antoni Muntadas, "Two Pulses, Two hearts" (1972)
- Ben Vautier, two fluxus pieces (cc. 1965)
- Jozéf Robakowski, "I am going" (1973),
- DDV, "Ladder-1" (1980); "Ladder-2" (2005)
- Bruce Nauman, "Bouncing Balls" (1969)
- Andy Warhol, "Kiss" (1963)

 

28 OUT (SÁB)

17h00 CONFERÊNCIA
O ESPAÇO DO CORPO: A BODY ART EM FRANÇA”, ANNE TRONCHE

«No fim dos anos 60, as correntes artísticas afirmaram a necessidade de alargar o campo da arte modificando a definição do gesto artístico. Entre estas correntes, situa-se a Body Art (…). Em França, três artistas ilustraram esta tendência, convocando temas e meios singulares: Gina Pane, Michel Journiac, Orlan(…) Através destes artistas, são descobertas três maneiras de abordar o tema da identidade, de pensar o corpo a partir de uma emancipação experimental, de reavaliar as relações entre o artista e o espectador.» Anne Tronche

Crítica de arte, ensaista, comissária de exposições, a francesa Anne Tronche virá a Serralves falar sobre o panorama da “body art” em França.

18h30 PERFORMANCE VOCAL
FABIENNE AUDÉOUD [FR]

Concerto / Performance musical desta videasta, performer e compositora francesa, actualmente residente em Paris. Fabienne Audéoud foi vencedora do Belfast Ormeau Bath Gallery Award, em 2001, pela sua performance ‘A lecture on my face’. Reside actualmente em Paris onde se encontra a preparar um novo álbum musical.

19h30 TEATRO
“PASSOS” (“FOOTFALLS”/PÁS, 1978), DE SAMUEL BECKETT
Produção: ASSéDIO

Tradução: Paulo Eduardo Carvalho ; Encenação: João Cardoso ;Espaço Cénico: Sissa Afonso;Figurinos: Bernardo Monteiro; Desenho de luz; Nuno Meira Desenho de som: Francisco Leal; Interpretação: Rosa Quiroga (May) e Fernanda Lapa (Voz gravada); Manipulação de luz e som: Bruno Santos; Cabeleiras e assistência de figurinos: Lícia Cunha; Fotografia de cena: Ana Pereira; Assistência de produção: Cláudia Pim; Direcção de produção: Rosa Quiroga; Duração aproximada: 30 m

“Passos” resulta do encontro da companhia ASSéDiO, uma das estimulantes estruturas de produção teatral, sediada no Porto, com uma das peças breves do universo de Samuel Beckett,
no ano em que se comemora o centenário do nascimento do dramaturgo irlandês.
A componente visual potenciada pelos recursos expressivos convocados - a rarefacção cénica, a dimensão “escultórica”do figurino, o rigor do espaço iluminado e a ressonância obsessiva da
voz e do movimento performativo - assumida em “Passos”, numa encenação de João Cardoso e interpretada por Rosa Quiroga, conduz-nos a uma figuração verbal e visual expressiva de um
universo dramatúrgico que decisivamente marcou a criação teatral actual.


22h00 MÚSICA / PERFORMANCE
BUM COLLAR [CLUB MORAL] [BE]

Club Moral é um grupo de ‘noise’ belga baseado em Antuérpia formado em 1981 por Danny Devos e Anne-Mie van Kerckhoven. São conhecidos pelo imaginário e performances controversas. Em 2001 Dylan junta-se à banda, e desde 2003 Mauro Pawlowski é também membro deste colectivo. Entre 1981 e 1993 o Club Moral era também um espaço em Antuérpia onde se organizavam as apresentações de exposições, performances, concertos, palestras e filmes. São responsáveis desde 1983 pela publicação da revista “Force Mental”, com 15 números impressos até à data. O número 16 foi publicado em 2005 na Internet.
Em 2006 o Club Moral foi declarado morto pelos seus fundadores e feito um “memorial de guerra” para todos os que tocaram e expuseram trabalho no Club Moral e que contribuíram para a Force Mental. Bum Collar (anagrama de Club Moral) surge em 2006 no seguimento deste projecto.

9-12 NOV (QUI – DOM)


17h00-23h00 ESCULTURA
“SIM NÃO”, DE FRANCISCO TROPA

Projecto coordenado por Francisco Tropa com o grupo de alunos do departamento de escultura do Ar.Co. (Centro de arte e comunicação visual)

Participam: André Maranha (prof. Convidado), António Bolota, Francisco Tropa, Hugo Amorim, João Oliveira, Maria Vidal, Raquel Dias, Rui Aleixo, Sérgio Dias, Tiago Trindade, Vanda Guerreiro

“Um abrigo primitivo situado permanentemente fora do alcance do historiador ou arqueólogo (…) num lugar a que devo chamar Paraíso. Paraíso é uma promessa, mas também uma memória.”    Joseph Rykwert, On Adam’s House in Paradise

“Sim Não” é o resultado de um “exercício de escultura”, concebido por Francisco Tropa e desenvolvido em conjunto com os participantes (e outros interventores pontuais) no âmbito do programa do departamento de Escultura do Ar.Co para 2005/2006. A “pobreza” é o tema, se assim se lhe pode chamar, a partir do qual Tropa lançou o projecto e cujo entendimento plural a peça resolve plasticamente.

16 NOV (QUI)

17H00 CONFERÊNCIA
CAROLEE SCHNEEMANN *

Carolee Schneemann é uma das figuras cruciais na performance e na Body Art dos anos 60. O seu trabalho centra-se em torno do corpo e da sua posição como sujeito feminino do mundo, tocando todos os géneros de arte como a pintura, a fotografia, a performance, e até vídeo instalação. É uma artista que luta para transformar o discurso da arte sobre o corpo feminino, sexualidade e género. A sua busca de novas formas de expressão utilizando o corpo humano, gira em torno de uma investigação sobre a tradição falocêntrica da arte e dos tabus que existem sobre o corpo feminino como objecto e fetiche.


* A confirmar


24 NOV (SEX)

22h00 MÚSICA / CINEMA
KEIJI HAINO - [JP]

Keiji Haino é um dos músicos mais singulares, obscuros e vitais a povoar o universo musical dos nossos dias. Feiticeiro da improvisação multi-instrumental, elegeu a guitarra e a voz como principais veículos para destilar intensas explorações sonoras catárticas, longas jornadas emocionais por cumes iluminados e abismos profundos que elevaram este xamã contemporâneo ao estatuto de ‘guitar hero’ da cena ‘noise’ japonesa. Com uma carreira musical com mais de 30 anos, esta ramifica-se em vários projectos a solo (também como Aihiyo e Nijiumu), em grupo (de onde se destacam os Lost Araaf, Knead, Fushitsusha e Vajra) e em colaborações com outros músicos e grupos (Derek Bailey, Barre Philips, Peter Brotzman, Fred Frith, Faust, Boris ou Loren Mazzacane Connors, entre muitos outros) bem como com poetas, coreógrafos e bailarinos, como Min Tanaka e Kazuo Ohno. Haino tem vindo a explorar outros sons, nomeadamente os da sanfona, da percussão metálica e da electrónica (como o theremin digital, o ‘air synth’ e o ‘air FX’). A escolha dos instrumentos vem frequentemente realçar as características performativas do músico proporcionando uma forte gestualidade que reforça os aspectos ritualísticos através da sua presença e apresentação em palco.


25 NOV (SÁB)

22h00 MÚSICA / PERFORMANCE
FUCKHEAD  [AT]

Fuckhead é um dos projectos ligados aos artistas multimédia Didi Bruckmayr e Michael Strohmann. Tem sido apelidado de ‘aktionist rock’ dadas as referências ao movimento Wiener Aktionismus, nomeadamente a exploração das sensibilidades no limite, das sonoridades e das performances físicas extremas. Nos seus espectáculos e discos filtram o rock mais muscular e furioso através de outras formas de expressão: a ópera com o seu emprego melodramático das vozes e a criação maquinal do som electrónico. O corpo delirante torna-se um campo de batalha num cabaret de crueldade onde se testam limites e se investigam as fantasias masculinas bem como os seus resultados psíquicos e sexuais, sociais e patológicos.
Os Fuckhead estreiam em Serralves o seu mais recente espectáculo ao vivo, resultado de uma encomenda da Fundação.  


9 DEZ (SÁB)

22h00 DANÇA
“OS SOLOS DE’O, O’” - 3 SOLOS POR EMMANUELLE HUYNH, SYLVAIN PRUNENEC & JENNIFER LACEY A PARTIR DA PEÇA “ROOM” DE DEBORAH HAY

Deborah Hay/CNDC de Angers
Coreógrafos e bailarinos: Emmanuelle Huynh, Jennifer Lacey

Inaugurado em Nova Iorque em Janeiro de 2006, o projecto “O,O” apoia-se no solo da coreógrafa norte americana Deborah Hay, intitulado Room. A coreógrafa criou uma peça de grupo a partir deste solo sem nunca o ter apresentado junto dos coreógrafos e intérpretes americanos. A apropriação do solo deu-se a partir de indicações verbais, transmitidas pela coreógrafa, sobre a forma de sugestões e enigmas, deixando em aberto a possibilidade de cada autor fazer as suas escolhas criativas no uso do gesto e da voz.
A coreografia foi concebida segundo este princípio: movimentarem-se em círculo, sem um ponto de vista privilegiado ou de orientação definidos antecipadamente. O título da peça evoca esta disposição espacial: uma dança em círculo”O”, no círculo do público “O”.

A versão francesa do projecto “O” apoia-se em princípios inversos. O processo de trabalho começou pela aprendizagem do solo pelos intérpretes Nuno Bizarro, Corinne Garcia, Emmanuelle Huynh, Jennifer Lacey, Catherine Legrand, Laurent Pichaud e Sylvain Prunenec, na presença da coreógrafa Deborah Hay.
A partir da matéria coreográfica, estética e espacial de Room, cada intérprete/coreógrafo trabalhou individualmente na criação de um novo solo, num programa que reúne actualmente oito novas peças, resultantes da adaptação pessoal da partitura de cada intérprete no projecto colectivo “O”.
O projecto colectivo “O”, actualmente em digressão, foi realizado em co-produção com o CNDC, Festival des Intranquilles/Les Subsistances, Centre Georges Pompidou e Centre National de la Danse.

Deborah Hay nasce nos Estados Unidos e participa, nos anos 60, em experiências radicais da geração dos experimentalistas americanos da Judson Church Theatre, em Nova Iorque.
A partir dos anos 70, inicia um projecto de dança individual, muito influenciado pela meditação e o Tai Chi.
Desde 1995 que cria exclusivamente os seus solos, interpretando-os ou retransmitindo-os a jovens coreógrafos e bailarinos americanos com quem colabora regularmente.


9 e 10 DEZ (SÁB e DOM)

15h00 – 18h00 SEMINÁRIO
TRAÇOS DA CRIAÇÃO COREOGRÁFICA ACTUAL: CONCEITOS, MODOS DE OPERAR E ESTRATÉGIAS DE MEMORIZAÇÃO
Orientação: Maria José Fazenda

Iniciativa produzida pelo Serviço Educativo da Fundação de Serralves em colaboração com o Serviço de Artes Performativas, a realizar na Sala do Serviço Educativo.

O seminário tem por objectivo problematizar e discutir alguns conceitos, modos de operar e temáticas que perpassam na criação coreográfica actual. Reflectir-se-á sobre o sentido e a extensão do uso do conceito de performance; sobre a função dos elementos plásticos no espectáculo de dança; e sobre as estratégias e razões da constituição de uma memória coreográfica.

 


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