
Até 31 OUT
Comissário: João Fernandes
Produção: Fundação de Serralves
De 24 de Julho a 31 de Outubro o Museu de Serralves apresenta uma exposição de Grazia Toderi, uma das artistas que na actualidade cruza de forma mais singular o vídeo e a fotografia. Vistas de cidades são frequentes na sua obra, interrogando a nossa compreensão da realidade e da sua representação. Esta exposição apresenta uma ampla selecção das obras mais recentes da artista, realizadas depois de 2006, entre projecções de vídeo, fotografias e desenhos. Todas as suas instalações vídeos realizadas após “Rosso Babel”, onde a alegoria da Torre de Babel representa uma fantástica e fantasmática cidade virtual, são agora reunidas pela primeira vez nesta exposição. Será ainda apresentada também pela primeira vez “Atlante” (2010), uma dupla projecção de vídeo em que a artista prossegue as suas investigações em torno da relação entre céu e terra, entre mapeamento celeste e terrestre, confrontando-nos mais uma vez com as perdas da gravidade e da linha de horizonte. Esta obra utiliza imagens feitas em Portugal, captadas na costa litoral portuguesa, recolhidas especificamente para a sua apresentação nesta exposição. O título da obra reitera a dimensão ficcional do trabalho, ao aludir à lha lendária – Atlântida - que Platão situa a oeste do estreito de Gibraltar, como manifestação de uma alteridade à civilização mediterrânica. Grazia Toderi utiliza neste caso imagens fotográficas e videográficas captadas por si e transformadas depois através da sua apresentação em duas ovais configuradas como órbitas e planisférios. As imagens são grandes planos de paisagens marítimas em movimento, mar, rochas, rebentação de ondas. Não sabemos a escala da sua representação, podendo oscilar entre a micropaisagem e a marinha de grandes proporções.
Grazia Toderi utiliza fotografia nos seus vídeos, não como o registo de algo que foi fixado num tempo determinado, mas sim como o ponto de partida de uma situação construída a partir de uma imagem utilizada. As suas cidades são fotografias de cidades, sendo nelas identificáveis vários aspectos das suas identidades. No entanto, a artista irá construir a partir de cada imagem fixa, uma situação inesperada que a integrará num universo misterioso, onde o fantástico não deixa de estar presente. As cidades de Grazia Toderi são fundadas em fotografias aéreas de vistas nocturnas das cidades representadas que a artista trabalha através do computador, desenhando nelas cartografias de luz que pulsam intermitentemente. O trabalho da artista convida-nos para um território onde a estranheza transgride a condição da representação. É a partir dessa transgressão da representação que o reconhecimento se descobre como uma outra forma de revisitar realidades que pensávamos conhecer, mas que nos surgem agora transfiguradas: vemos o que identificamos, mas não o vemos da mesma maneira que esperaríamos ver.
Visitas guiadas à exposição:
16 SET (QUI), 18h30, por João Fernandes.
18 SET (SAB), 16h00, por Sónia Borges (exclusiva para AMIGOS)
12 OUT (TER), 18h30, por Marta Almeida