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DOCUMENTAL & AUTOBIOGRÁFICO - UM PROJECTO DE LÚCIA SIGALHO
de 22 JAN 2005 a 23 JAN 2005
Este projecto, que ainda está em construção e do qual se apresenta em Serralves um primeiro passo, assenta em dois pontos de apoio: de um lado, uma pesquisa documental e através de testemunhos, do outro, o universo feminino de Paula Rego. Usamos estes dois pólos para nos conduzir através do tema que escolhemos: a violência exercida sobre as mulheres que têm filhos (1,2 filhos por mulher em idade fértil, em Portugal). É pela negativa que o tema se liga a Paula Rego, especificamente, aos quadros sobre o aborto. Começando pelo princípio, tomamos como paradigma a maneira como as mulheres são tratadas e se deixam tratar ao longo da gravidez e no momento do parto, reveladora da estrutura de toda uma relação social com a maternidade. O parto configura-se como o momento fundador e iniciático do estado maternal e da subsequente cadeia de violências, injustiças e humilhações várias que, a partir daí, se sucedem. Tão banais, que já fazem parte do quotidiano, já não nos damos ao trabalho de as nomear, ou seja, de as pensar. Curiosa e muito sintomaticamente, somos muitas vezes nós, outras mulheres, as executoras principais das chamadas pequenas-médias violências. Quise-mos revelar e analisar este paradoxo da violência feita às mulheres mães. A realidade desvendada por esta pesquisa está em rota de colisão perfeita, quer com os cânones consagrados e o estatuto social do papel de mãe, quer com os conceitos contemporâneos de género e condição feminina. É uma nova violência: transversal, em cresci-mento, tendencialmente perpétua, sintoma de uma autofagia absurda, esquizofrenizante. Encara as mães como seres meramente utilitários e descartáveis, remetidos a funções criadais nos processos de gestação, nascimento e crescimento dos seus filhos. É um fenómeno Político, pois tem tudo a ver com a forma como o Poder e o Estado se relacionam com a Mulher e o seu Corpo. É aqui que nos situamos em Portugal, e nos revemos em Paula Rego: na violência surda, na crueldadezinha, a humilhação, a matança até se for preciso… Mas tudo morno, às escon-didas, tudo em segredo, muito de surra e muito de mansinho, tudo muito Português Suave. Em 2005, vamos continuar a desenvolver este projecto com um grupo alargado. Queremos agradecer a todos os que têm colaborado connosco, mas sobretudo aos renitentes, aos cépticos e aos cínicos: a esses se vai buscar a fúria. Documental & Autobiográfico está a ser construído a partir duma vontade de ter futuro, sobre testemunhos na primeira pessoa, o meu incluído.  Lúcia Sigalho

CO-PRODUÇÃO DA FUNDAÇÃO DE SERRALVES E DA SENSURROUND-COMPANHIA DE TEATRO

Textos: Fernanda Câncio,Mafalda Ivo Cruz e Lúcia Sigalho
Banda Sonora Original: João Lucas
Roupa: Patrícia Dória
Pesquisa: Félix Losanno,Marta Furtado, Filipa Pieccho e Manuel Graça Dias
Em cena: Luís Vieira, Joana Furtado, Marta Mateus, Lúcia Sigalho
Produção Sensurround: Tânia Guerreiro e Rute Paredes
Agradecimentos: Teresa Joaquim

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  • Publico AlvoCrianças
  • Horário18h00 - 24h00
  • Dias 22 JAN 2005 - 23 JAN 2005

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