Liam Gillick, um influente artista britânico sediado em Nova Iorque, apresenta em Serralves Campanha, uma exposição com um ano de duração, concebida como uma série de intervenções escultóricas sempre diferentes, exibidas na sala central e noutros espaços do Museu de Serralves.
Esta é a primeira exposição de Liam Gillick (1964, Aylesbury, Reino Unido) em Portugal e resulta de uma série de visitas ao Museu de Arte Contemporânea de Serralves iniciada em 2013.
Gillick apresenta uma sobreposição de situações espaciais e performativas que expandem projetos escultóricos datados de finais dos anos 1990 até ao presente, alguns deles nunca executados. Incluindo som, peças escultóricas e obras baseadas em texto, a coreografia de espaços, objetos e ideias de Gillick aborda poeticamente temas como o tempo, a história e a duração, além dos códigos visuais e espaciais do social.
O primeiro momento desta série foi Factories in the Snow, patente na sala central do Museu desde 28 de janeiro e que funcionou como uma introdução à exposição. A obra, que foi concebida por Gillick para uma exposição em Manchester em 2007, consiste num piano disklavier e neve artificial preta. A peça tocada ao piano é a tentativa do artista de tocar, de memória, a música "Grândola, Vila Morena”, de José Afonso.
Em abril, o segundo momento coincide com a data oficial de inauguração da exposição (8 de abril): novamente na sala central do Museu, será apresentado o projeto AC/DC Joy Division House.
Sobre este segundo momento, Liam Gillick escreveu: "Na sequência de uma encomenda para criar um projeto de arte pública em Itália, concebi em 1993 um edifício destinado a ser construído em Milão. (…) O edifício foi pensado como parte de um centro social para adolescentes no sul da cidade e as suas paredes exteriores têm pintados títulos de canções e nomes de bandas, que inevitavelmente serão modificados pelos utilizadores do centro social. A arquitetura é semelhante à dos edifícios envolventes, mas a decoração nas paredes e o facto de ser um edifício de grandes dimensões fazem com que se distinga.”
A partir de 8 de abril uma versão em pequena escala deste edifício será apresentada em Serralves. Nesta peça Gillick aborda a noção da arquitetura como projeto, construção e intervenção nos espaços físicos e sociais.
No terceiro momento, em maio, o piano e a neve do primeiro momento e uma nova versão transparente de AC/DC Joy Division House, vão juntar-se e incorporar elementos de texto e som. A exposição vai também ocupar a chamada Sala de Mármore, no piso inferior do Museu, com uma instalação de grandes dimensões intitulada A Game of War (Terrain) [Um Jogo de Guerra (Terreno)]. Em 1977 o situacionista francês Guy Debord fundou a sociedade Strategic and Historical Games, com o objetivo de produzir um "jogo de guerra”, atualizando a teoria militar de modo a incorporar alterações na comunicação e na estratégia. Gillick desenvolve o Kriegspiel de Guy Debord, destinado a ser jogado por dois adversários num tabuleiro de 500 quadrados.
O quarto e último momento da exposição, em setembro, culmina num conjunto de intervenções na arquitetura do Museu. Serão criadas uma série de "plataformas de discussão”, fazendo uso das claraboias existentes e que iluminaram as outras obras no decorrer de Campanha.
Esta exposição reflete o compromisso permanente de Liam Gillick com questões de processo, participação, coletividade e tomada de decisões, expressão da sua abordagem diversificada à linguagem e à linguagem do espaço.
No contexto arquitetónico e programático de Serralves, a exposição de Gillick vem contribuir para levar por diante o objetivo do Museu de articular novos modelos expositivos em resposta à prática específica de cada artista nas suas dimensões escultóricas, discursivas e temporais.
A acompanhar a exposição será publicado um livro que documenta o projeto ao longo do ano e que inclui textos de Liam Gillick e outros autores.
"Campanha” é organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, e comissariada por Suzanne Cotter, Diretora do Museu, com a assistência da curadora Filipa Loureiro.