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Simpósio SAAL: Em retroprospetiva
10 MAI 2014
Pretende-se neste simpósio debater o SAAL – Serviço Ambulatório de Apoio Local – e pensar hoje, de forma retroprospetiva, as virtualidades dos processos participativos em arquitetura, não esquecendo as questões arquitetónicas internas, por vezes subsumidas no debate ideológico. 40 anos volvidos sobre o seu arranque, consequência da Revolução do 25 de Abril de 1974, parece importante debater o processo interdisciplinar que foi o SAAL, numa ótica que admite já a distância histórica mas simultaneamente permite a participação de alguns dos seus protagonistas.
Entre os oradores já confirmados contam-se a historiadora Raquel Varela e os arquitetos Álvaro Siza Vieira, Nuno Portas, Alexandre Alves Costa, Raúl Hestnes Ferreira, Jorge Figueira, José António Bandeirinha, Pedro Bandeira, Pedro Clarke e Joaquim Moreno.

O simpósio é assim o ponto de partida de uma discussão que se irá estender até novembro com a inauguração dia 31 de outubro no Museu de Arte Contemporânea de Serralves da exposição "O Processo SAAL: Arquitetura e Participação 1974 – 1976” e com a abertura, no dia 14 de novembro, de um colóquio em Coimbra organizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade desta cidade, intitulado "74 14 SAAL # ARQUITECTURA". A articulação entre estes diversos palcos pretende complementar as perspetivas, as metodologias e os instrumentos de investigação sobre o SAAL.  

Curadoria: Delfim Sardo

Nota: evento com tradução simultânea
Lotação
: 250 pessoas
Acesso
: 15€ (inclui acesso gratuito às
exposições no dia do simpósio)
Amigos de Serralves, estudantes e maiores 65 anos
: 50% desconto


Foto: Cortesia Alexandre Alves Costa, Porto, Plenário dos moradores do Porto no Pavilhão dos Desportos, Mesa do plenário, Fotografia Sérgio Fernandez, 5 de Abril de 1975
09h00: Abertura de portas

09h30: Boas vindas e abertura
- Suzanne Cotter, Diretora do Museu de Serralves

09h45: Abertura "O processo SAAL: Arquitetura e Participação, 1974-1976"
- Delfim Sardo, Curador da exposição O PROCESSO SAAL: ARQUITETURA E PARTICIPAÇÃO, 1974-1976

10h00: Conferência introdutória
- Arq. Nuno Portas

10h45: "O SAAL como potência transformadora"
- Dra. Raquel Varela
- Arq. Joaquim Moreno
- Moderação: Liliana Coutinho
 
12h00: "Participação em contexto"
- Arq. Pedro Clarke
- Arq. Pedro Bandeira
- Moderação: Arq. Jorge Figueira
 
13h15: Almoço    
 
15h00: Mesa redonda "SAAL: em retroprospetiva"
- Arq. Álvaro Siza
- Arq. Raúl Hestnes Ferreira
- Arq. Eduardo Souto de Moura
- Moderação: Arq. José António Bandeirinha
 
17h00: Conferência final
- Arq. Alexandre Alves Costa


PAINEL DE ABERTURA

O PROCESSO SAAL: ARQUITETURA E PARTICIPAÇÃO 1974?1976
, DELFIM SARDO
O SAAL representa a cultura arquitetónica do 25 de abril e é um momento fundamental de equacionamento da questão habitacional num contexto politicamente participado. Rever o processo hoje implica pensar as questões da participação e as suas relações com a permanência da arquitetura e do arquitetónico, num exercício elástico entre proximidade e distanciamento. Entre a situação de experiência primeira de que o SAAL está imbuído, as suas tensões internas, a formulação utópica e um claro pragmatismo presente na ideia de urgência foi-se construindo um campo de afirmação de um pensamento arquitetónico que materializa uma outra modernidade, longe da ideia de estilo e entendida como processo. Trata-se, portanto, de repensar esta performatividade.

PAINEL: O SAAL COMO POTÊNCIA TRANSFORMADORA

"TANTA GENTE SEM CASA, TANTA CASA SEM GENTE”: AS COMISSÕES DE MORADORES E O PAPEL DAS MULHERES NA QUESTÃO DA HABITAÇÃO NA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS, RAQUEL VARELA
Durante 1974?1975 um amplo movimento social atingiu o setor da habitação. Organizava-se este movimento em estruturas de poder local, democráticas ? as comissões de moradores. Nascem quase de imediato como estrutura de decisão local, atuando como um poder paralelo face às câmaras municipais, em recomposição e com escasso poder quando se tratava de lidar com a questão da habitação (alojamentos, espaços culturais). Os processos de ocupação de casas vão levar a projetos distintos dentro da mesma área (ocupação de casas de construção social,  auto construção, ocupação de casas vazias e questionamento da lei de propriedade dos solos de 1965). Nas comissões de moradores as mulheres vão ter um papel destacado, o que se reflete também no tipo de reivindicações e propostas destas.  A maioria das reivindicações são de emergência: direito à habitação (mantendo-se as populações no mesmo local ou bairro); infra-estruturas; creches e infantários; saneamento básico. Estas comissões têm uma organização por bairro ? e não necessariamente administrativa, como no caso de freguesia, e portanto têm uma dimensão que reúne formas de solidariedade ou de conflitos, mas em torno das vidas comuns fora do espaço de trabalho. Foram variadas as formas de coordenação das comissões de moradores, mas estes foram os primeiros organismos de dualidade de poderes a coordenarem-se, antes de as comissões de trabalhadores encontrarem formas de coordenação.

APRENDIZAGEM REVOLUCIONÁRIA, JOAQUIM MORENO
O processo SAAL que se seguiu à revolução de abril de 1974 foi talvez o mais intenso momento recente do que se poderia chamar uma arquitetura social em Portugal. Para muitos dos protagonistas, ainda estudantes desta "excepção irracional do sistema”, este foi também um processo de aprendizagem radical. No caso específico da Escola de Belas-Artes do Porto (Segunda Secção: Arquitetura), ao tempo envolta num processo pedagógico "experimental” e mais ou menos paralisada pela contestação estudantil, este processo foi simultaneamente uma extensão e uma alternativa à escola. Extensão porque foi uma oportunidade surgida do contacto e comunhão com as populações da zona, e alternativa porque se substanciou num momento emancipador, de aprendizagem e autonomização disciplinar. O produto histórico desta cooperação conflituosa, ainda que fruste de um ponto de vista material ? ou até mesmo cruel na iniqua repartição do magro espólio de um processo violentamente interrompido ? é, do ponto de vista disciplinar da arquitetura, uma forja de uma certa maneira de pensar e atuar a arquitetura. É a radicalidade pedagógica engendrada por este momento de compromisso social e urbano da arquitetura, no caso particular de um projeto, que aqui se analisa.

PAINEL: PARTICIPAÇÃO EM CONTEXTO

LEARNING TO WORK TOGETHER, PEDRO CLARKE
"Learning to Work Together” apresenta uma experiência de trabalho em contextos de custos muito controlados e com populações em condições económicas bastante limitadas, onde a gestão de expectativas se torna um dos elementos principais dos projetos. "Aprender a trabalhar juntos” refere-se assim não só às práticas participativas que integram o nosso processo criativo mas também à forma contínua como o trabalhar em equipa faz parte do projeto, quer na obra, na arquitetura, quer em diferentes instituições (ou outros tipos de projetos), para alcançar os melhores resultados possíveis.

DO SAAL À LUZ, PEDRO BANDEIRA
O processo SAAL é quase sempre referido como único em Portugal no que refere às questões relacionadas com a "participação” das populações no projeto de arquitetura. Extinto por questões ideológicas e sob a pressão de variadíssimos interesses económicos, interessará, agora, maturada a nossa democracia de quarenta anos, repensar o sentido dos processos participativos. A partir da experiência de planeamento da Nova Aldeia da Luz (no âmbito da construção da Barragem do Alqueva) procurar-se-á questionar o papel dos governantes, dos moradores, dos projetistas e, não menos importante, dos meios de comunicação social na edificação da cidade e do seu espaço público. Concluir-se-á que o sentido do "direito à cidade” não subsistirá sem o "dever à cidade”.

Alexandre Alves Costa (Porto, 1939) é arquiteto e Professor Catedrático Jubilado da Universidade do Porto. Licenciado em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, após realizar estágio no Laboratório Nacional de Engenharia Civil com o Arqº. Nuno Portas. Integrou a Comissão Instaladora do Curso de Arquitetura da FAUP, onde lecionou nas áreas de Projeto e História da Arquitetura Portuguesa, foi Presidente do Conselho Diretivo Presidente do Conselho Científico e dirigiu o 1.º Programa de Doutoramento em Arquitetura. Na Universidade de Coimbra e na Universidade do Minho, em 1988 e 1997, pertenceu às Comissões Instaladoras dos cursos de Arquitetura. Pertenceu à Comissão Coordenadora do SAAL/Norte, responsável pelo setor de Planeamento e Apoio ao Projeto. Participou no filme Direito à Habitação, exibido pela RTP em 1976. Foi um dos quatro vencedores do concurso de ideias para a renovação da Baixa portuense (zona Leste B) organizado pela Porto 2001 Capital Europeia da Cultura. Tem publicado em revistas especializadas em arquitetura (Lótus International, 9H, Domus, Wonen Tabk, Casabella, Architecti, Jornal Arquitectos, Monumentos, e Estudos/Património), integrou os conselhos editoriais do Boletim da Universidade do Porto, da Revista Monumentos, da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e é membro do Conselho Editorial do JA ? Jornal Arquitectos da Ordem dos Arquitectos. Parte da sua produção escrita encontra-se publicada nos seguintes livros: Candidatura ao Prémio Jean Tschumi (Lisboa: Ordem dos Arquitetos, 2005), Introdução ao Estudo da Arquitectura Portuguesa e Outros Textos (Porto: FAUP, 2007) e Textos Datados (Coimbra: Edarq, 2007). Tem participado em conferências em Portugal e no estrangeiro sobre o ensino, a crítica e a história da arquitetura e integrado júris a nível nacional e internacional. Foi-lhe atribuído o Grande Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte /Ministério da Cultura de 2008.

Álvaro Siza Vieira (Matosinhos, 1933) estudou Arquitetura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto entre 1949 e 1955. Foi colaborador do Arqt.º Fernando Távora entre 1955 e 1958. Foi Professor na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, onde deu a sua última aula em outubro de 2003 e foi professor convidado em várias outras instituições de ensino. É autor de numerosos projetos nacionais e internacionais, de entre os quais se destacam a Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, a Biblioteca da Universidade de Aveiro, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves e a Igreja de Marco de Canaveses. Na Holanda, dirigiu, desde 1985, o Plano de Recuperação da Zona 5 de Schilderswijk; em Espanha, delineou os projetos para o Centro Meteorológico da Villa Olímpica de Barcelona, para o Centro Galego de Arte Contemporánea e para a Faculdade de Ciências da Informação em Santiago de Compostela. Tem participado em seminários e conferências na Europa, na América e no Japão. Foi convidado participar em concursos internacionais e obteve o primeiro lugar no concurso para a reabilitação de edifícios em Schlesisches Tor, Berlim, na recuperação do Campo di Marte, em Veneza, e na remodelação do casino e café Winkler, em Salzburgo (1986). Vencedor de vários prémios de entre os quais se destacam o Prémio de Arquitetura da Associação de Arquitetos Portugueses (1987); o Prémio de Arquitetura do Ano, pela AICA-Portugal (1982); a Medalha de Ouro de Arquitetura do Colegio de Arquitectos de Madrid (1988); a Medalha da Fundação Alvar Aalto (1988); o Prémio Prince of Wales da Harvard University (1988); o Prémio Europeu de Arquitetura da Comissão das Comunidades Europeias/Fundação Mies van der Rohe (1988); o Prémio Nacional de Arquitetura (1993); o Prémio Secil de Arquitetura (1996 e 2000); Wolf Prize da Wolf Foundation (2001); e o Prémio Nacional da Arquitetura Alexandre Herculano (2001). Em 1992 foi-lhe atribuído o Prémio Pritzker pelo conjunto da sua obra. Doutor Honoris Causa pela Universidade Politécnica de Valência, pela Escola Politécnica Federal de Lausanne, pela Universidade de Palermo, pela Universidade Menendez Pelayo, de Santander, pela Universidad Nacional de Ingeniería de Lima, Peru, pela Universidade de Coimbra, pela Universidade Lusíada, pela Universidade Federal de Paraíba, pela Università degli Studi di Napoli Federico II, Pollo delle Scienze e delle Tecnologie, Nápoles. Membro da American Academy of Arts and Science e Honorary Fellow do Royal Institute of British Architects, do AIA, da Académie d’Architecture de France e da European Academy of Sciences and Arts.

Delfim Sardo (Aveiro, 1962), doutorado em Arte Contemporânea, é Professor do Colégio das Artes e da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde coordena o Mestrado em Estudos Curatoriais. É membro associado do Institut Acte, Université Paris 1 Pantheon Sorbonne. Dedica-se à curadoria de arte contemporânea e à ensaística sobre arte desde 1990. Presidente da Associação Internacional de Críticos de Arte/Portugal. Foi o Comissário Geral da Trienal de Arquitetura de Lisboa 2010, diretor do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém e consultor da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Foi o comissário da representação portuguesa à 48ª Bienal de Veneza e co-comissário da representação portuguesa à Bienal de Veneza de Arquitetura 2010. No campo das publicações destacam-se os volumes Julião Sarmento: Catalogue Raisonée, Edições Numeradas (Badajoz: MEIAC, 2007), Luxury Bound (Milão: Electa, 1999), Jorge Molder (Lisboa: Caminho, 2005), Helena Almeida: Pés no Chão, Cabeça no Céu (Lisboa: Bial, 2004), Pintura Redux (Porto: Fundação de Serralves/Público, 2006), Abrir a Caixa (Lisboa: Caixa Geral de Depósitos, 2009) e A Visão em Apneia (Lisboa: Babel, 2011). Colabora regularmente como ensaísta para publicações sobre arte e arquitetura e foi fundador e diretor da revista Pangloss.

Eduardo Souto de Moura (Porto, 1952) é licenciado em Arquitetura pela Escola de Belas-Artes do Porto e Professor Universitário no curso de Arquitetura da FAUP. Colaborou no ateliê do Arqt.º Álvaro Siza Vieira entre 1974 e 1979. Foi professor convidado da Faculdade de Arquitetura de Paris-Belleville, nas escolas de Arquitetura de Harvard e de Dublin, na ETH de Zurique e na Escola de Arquitetura de Lausanne. Tem participado em vários seminários e conferências e o seu trabalho tem aparecido em numerosas publicações e exposições. De entre os seus projetos destacam-se o Mercado Municipal e o Estádio Municipal de Braga (Estádio AXA); a Casa das Artes, a Casa do Cinema de Manoel de Oliveira, o Edifício Burgo, as intervenções no edifício da Alfândega Nova (atual Museu dos Transportes e Comunicações/Centro de Congressos e Exposições) e na antiga Cadeia da Relação, no Porto; a Ponte dell' Accademia, em Veneza; e as intervenções territoriais na Faixa Marginal de Matosinhos, no Metro do Porto e na Praça do Município da Maia. Em 2008, em conjunto com o artista plástico Ângelo de Sousa, representou Portugal na XI.ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza com um projeto em co-autoria intitulado Cá fora. Arquitectura desassossegada. Em 2011, a sua obra foi galardoada com o Prémio Pritzker de Arquitetura.

Joaquim Moreno (Luanda, 1973) é arquiteto pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Mestre pela Escuela Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona da Universidad Politécnica da Catalunya e Doutor em Teoria e História da Arquitetura pela School of Architecture da Princeton University. Além da prática da arquitetura, desenvolve atividade docente na Graduate School of Architecture, Planning and Preservation da Columbia University, no Departamento de Arquitetura da Universidade do Minho e do Departamento de Arquitetura da Universidade Autónoma. Foi diretor, juntamente com Pedro Bandeira e Paula Pinto, da revista In Si(s)tu, curador com Alberto Carneiro da exposição "Desenho Projecto de Desenho”, sobre desenho e arquitetura no séc. XX português e com José Gil comissariou a representação portuguesa na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2008. Desenvolve atividade regular de conferências e publicações.

José António Bandeirinha (Coimbra, 1958) é graduado em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto e, com uma dissertação intitulada "O Processo SAAL e a Arquitetura no 25 de abril de 1974”, doutorado em 2002 pelo departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra, onde é também Professor Associado. É investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Foi presidente da Comissão Científica do Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra em 2002?04 e 2006?07. Foi Pró-Reitor para a Cultura da Universidade de Coimbra entre 2007 e 2011 e Diretor do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Foi ainda comissário da exposição "Fernando Távora: Modernidade Permanente”, com coordenação de Álvaro Siza, integrada na Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012.

Nuno Portas (Vila Viçosa, 1934) é arquiteto, urbanista e professor. Estudou Arquitetura na Escola de Belas-Artes de Lisboa e na Escola de Belas-Artes do Porto. Lecionou em várias universidades portuguesas e estrangeiras, tendo participado na fundação da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, onde viria a assumir funções como Professor Catedrático. Atualmente é Professor Jubilado. Em 1974 assumiu o cargo de Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo, que conservou durante os três primeiros Governos Provisórios. No exercício dessas funções, fomentou a criação de cooperativas de habitação e de gabinetes de apoio local (GAT), concebeu o Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL) e desencadeou o processo conducente à adoção dos Planos Diretores Municipais. Foi consultor dos planos de ordenamento dos municípios do Vale do Ave, diretor do plano do campus universitário de Aveiro, responsável pelo primeiro Plano Geral da Expo 98 e consultor de urbanismo no âmbito do centro histórico do concelho de Guimarães. Coordenou o Planeamento Intermunicipal de Madrid (1980?83). Foi consultor do Plano Estratégico Metropolitano de Barcelona (1991?92), do Plano de Ordenamento de Santiago de Compostela e das Nações Unidas e da União Europeia para as questões urbanísticas e de investigação. Com Oriol Bohigas, foi autor do Plano de Frente de Mar e Estação das Barcas (1997?2000) e do Plano de Recuperação da Zona Central (1995?2000) para o Rio de Janeiro. Tem publicado múltiplas obras sobre teoria da arquitetura, história crítica da arquitetura e urbanismo contemporâneos e artigos em publicações periódicas relacionados com a sua vertente de cineclubista e de crítico de cinema. Destacam-se os projetos da Igreja do Sagrado Coração de Jesus (em conjunto com Nuno Teotónio Pereira) ? que obteve o Prémio Valmor, em 1975. Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro e pelo Instituto Politécnico de Milão, distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e com o Prémio Sir Patrick Abercrombie de Urbanismo da União Internacional de Arquitetos.

Pedro Bandeira (Porto, 1970) é arquiteto e Professor Auxiliar na Escola de Arquitetura da Universidade do Minho.
A convite do Instituto das Artes e do Ministério da Cultura integrou a exposição "Metaflux” na representação portuguesa na Bienal de Arquitetura de Veneza (2004) e representou Portugal na Bienal de Arquitetura de São Paulo (2005). Em 2000 concluiu a tese de mestrado sob o título "Apenas o Mundo Hoje Onde As Revoluções são Impossíveis: Da Ilusão à Desilusão de Pouca Arquitectura entre os anos 1960 e 1990” (UPC). Em 2007 concluiu a tese de doutoramento sob o título "Arquitectura como Imagem, Obra como Representação: Subjectividade das Imagens Arquitectónicas”. É autor do livro Projectos Específicos para um Cliente Genérico, uma antologia de trabalhos desenvolvidos entre 1996 e 2006 (Porto: Dafne). Foi co-autor com João Figueira, Luís Miguel Fareleira, José Miguel Rodrigues e Luísa Rodrigues do Plano e Projetos das Infra-estruturas e Habitações da Nova Aldeia da Luz. Mais recentemente concebeu a "Proposta de Relocalização da Ponte D. Maria Pia” em co-autoria com Pedro Nuno Ramalho.

Pedro Clarke (Cambridge, Reino Unido, 1983) estudou Arquitetura na FAUP e na AHO-Arkitektur Høgskollen em Oslo, tendo-se licenciado em 2007 com uma prova final sobre arquitetura humanitária com base na sua experiência enquanto voluntário no Lesoto para a ONG Internacional de Arquitetura "Article-25”. Entre 2008 e 2009 estagiou em Oslo com o ateliê RRA ? Reiulf Ramstad Arkitekter. Regressou ao Lesoto em 2009 e juntamente com Camille Bonneau ficou responsável pelo desenho e a construção de vários edifícios para a ONG Sentebale, fundada pelo Príncipe Harry de Inglaterra e Príncipe Seeiso do Lesoto, e por outros projetos para parceiros locais. Fundou o ateliê A+ com o propósito de fazer chegar a arquitetura a todos e presentemente está envolvido em projetos na Europa, no Brasil e em África. Trabalha ainda como arquiteto para o ateliê londrino Lyall, Bills & Young Architects. Colabora como copyeditor para o JA ? Jornal Arquitectos da Ordem dos Arquitectos e está a completar um Mestrado em Desenvolvimento e Práticas de Emergência no Centre for Development and Emergency Practice na Oxford da Brookes University. Em 2012 foi um dos vencedores do Santander Student Project Awards (Oxford Brookes University, Reino Unido) com uma proposta para uma intervenção na Comunidade do Parque São Bartolomeu, em Salvador da Bahia, no Brasil. Foi co-curador de "Dear Future”, um projeto associado da Trienal de Arquitetura de Lisboa. Em 2014 integrou a representação portuguesa para a 14a Bienal de Arquitetura de Veneza.

Raquel Varela (Cascais, 1978) é historiadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais. É investigadora do Instituto Internacional de História Social onde coordena o projeto internacional "In the Same Boat? Shipbuilding and ship repair workers around the World (1950?2010)” e é coordenadora do projeto História das Relações Laborais no Mundo Lusófono. É doutora em História Política e Institucional (ISCTE ? Instituto Universitário de Lisboa). Presidente da International Association Strikes and Social Conflicts, vice-coordenadora da Rede de Estudos do Trabalho, do Movimento Operário e dos Movimentos Sociais em Portugal, membro do ITH ? International Conference of Labour and Social History  (Viena, Áustria) e da Asociacíon Historiadores del Presente (Espanha). Os seus artigos estão publicados em revistas nacionais e internacionais. Dos livros publicados e coordenados destacam-se: História do Povo na Revolução Portuguesa 1974?1975  (Lisboa: Bertrand, 2014); A Segurança Social é Sustentável. Trabalho, Estado e Segurança Social em Portugal  (Lisboa: Bertrand, 2012); 25 April 1974: Die Nelkenrevolution, (Berlim: Laika Verlag, 2012); História do PCP na Revolução dos Cravos  (Lisboa: Bertrand, 2011); Revolução ou Transição? História e Memória da Revolução dos Cravos  (Lisboa: Bertrand, 2012); Strikes and Social Conflicts. Towards a Global Labour History  (Amesterdão: IASSC-IHC, 2012); O Fim das Ditaduras Ibéricas  (1974?1978) (Sevilha: Centro de Estudios Andaluces e Lisboa: Edições Pluma, 2010).

Raúl Hestnes Ferreira (Lisboa, 1931) lecionou Arquitetura na Escola de Belas-Artes, Lisboa (1970?72), na Cooperativa Árvore, Porto (1986?88), na Universidade de Coimbra (1991?2003), no ISCTE (2001?03) e atualmente na Universidade Lusófona (2010?14). Foi autor de vários projetos de arquitetura, em Lisboa (Escola Secundária de José Gomes Ferreira em Benfica, Complexos do ISCTE, ICS, Faculdade de Farmácia da UL, Bairro SAAL Fonsecas/Calçada, Biblioteca de Marvila e a remodelação de edifícios habitacionais e comerciais, incluindo o Café Martinho da Arcada e a Casa das Varandas), em Beja (Recuperação de Arcada do Século XVI, Casa de Cultura da Juventude e Bairros João Barbeiro e Estrada de Lisboa), em Évora (Remodelação do Museu de Évora), em Avis (Agência da CGD), Benedita (Centro de Recursos da Benedita) e no Seixal (Creche dos Redondos). Como urbanista, foi responsável pelo Setor de Desenvolvimento Urbano e Habitação do primeiro Plano de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROTAML), coordenado por Jorge Gaspar, pelos Planos UNOR 40 e respetiva Praça Institucional, em Lisboa, Bairro das Portas de Mértola, em Beja e Bairro da Rosa, em Coimbra. Publicou estudos sobre a arquitetura portuguesa, nomeadamente relativos a Cassiano Branco e Francisco Keil do Amaral, em livros e revistas, tendo coordenado o número de divulgação da arquitetura portuguesa da revista l’architecture d’aujourd’hui (1976). As suas obras de arquitetura foram objeto de publicação em livros e revistas de vários países, incluindo uma monografia dos seus trabalhos (Porto: ASA, 2002). Participou em conferências, reuniões e exposições em Portugal e noutros países. Foram-lhe atribuídos, entre outros, o Prémio Nacional de Arquitetura e Urbanismo da AICA de 1982, o Prémio Nacional de Arquitetura da AAP de 1993 (Agência da CGD de Avis), o Prémio Valmor em 2002 (ISCTE II / ICS) e Menções Honrosas do Prémio Valmor em 1982 (Escola Secundária de Benfica) e 1993 (INDEG / ISCTE). Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (2007), Membro Honorário da Ordem dos Arquitetos (2010), Medalha de Mérito da Universidade de Lisboa (2011) e Diploma de Reconhecimento e Mérito da Universidade Lusófona (2014).



O programa SAAL foi iniciado em agosto de 1974 e extinto em outubro de 1976. Constituindo, na sua essência, a cultura arquitetónica da Revolução de 1974, o SAAL procurou resolver problemas habitacionais candentes de populações muito carenciadas numa estratégia orgânica e participada. As suas consequências para o pensamento sobre a cidade e, sobretudo, para uma visão da arquitetura como processo ativo de produção de cidadania foram marcantes, não só no contexto das rápidas transformações do Portugal dos anos 1970, mas também como momento de afirmação da arquitetura portuguesa no panorama internacional.
No entanto, podemos ainda entender o SAAL de uma forma mais abrangente: como um momento de equacionamento da cidade e das suas estratégias habitacionais e de solo; como uma possibilidade de desenvolvimento, a um tempo desburocratizado e descentralizado, mas também oriundo de uma estratégia que privilegiou o financiamento à construção através dos seus promotores e mediante projetos – numa estrutura que deveria ter constituído matéria para uma séria reflexão posterior. 
Em termos teóricos, o SAAL foi também um momento de questionamento do modernismo planificador, uma centelha de abertura relativamente ao problema da relação entre a funcionalidade, a urgência e a maturação de questões arquitetónicas que se vinham a desenhar em Portugal desde a década de 1950 e que aqui conheceram o seu momento experimental.
Mecenas Exclusivo do Museu
Projeto "Serralves Ecossistema Criativo" co-financiado por:
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  • LocalAuditório de Serralves
  • Publico AlvoAdultos
  • Horário09h30 - 18h30
  • Dias10 MAI 2014
  • Preço€ 15,00

Simpósio SAAL - videos

Reveja aqui os videos do simpósio "SAAL: Em retroprospetiva"

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