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STITCHOMYTHIA - NADIA LAURO & ZEENA PARKINS
16 DEZ 2018
Performers visitantes: Volmir Cordeiro, Latifa Laâbissi e Stephen Thompson

A convergência entre os interesses e as pesquisas da cenógrafa Nadia Lauro e da compositora/improvisadora Zeena Parkins  sobre a questão do padrão e as formas como ele é apreendido levou-as a elaborar em conjunto a instalação visual e a performance musical Stitchomythia.
Stitchomythia é um tapete anamórfico concebido para performers, cujos motivos óticos e cuja topografia em anamorfose – bem como a perturbação visual que emana – constituem uma partitura à escala do espaço.

Stitchomythia segue, por um lado, a direção de Anamorphic Rug, uma instalação visual criada por Nadia Lauro e inspirada em Shining, de Stanley Kubrick, um filme em que o Hotel Overlook, o personagem principal do filme, se torna uma paisagem, uma ameaça, um organismo. Lauro pegou na famosa alcatifa geométrica do filme para a repensar num espaço ainda mais restrito do que o dos corredores do hotel. Uma deslocação ficcional que constrói uma topografia em trompe-l'oeil. O tapete bidimensional transmite a ilusão de pregas, sulcos, ondas, montes e movimentos do solo. Uma ficção anamórfica, esse tapete constitui um dispositivo ótico governado pelas leis da "arte da perspetiva secreta”. Este dispositivo foi usado por Lauro, primeiro para a peça Augures de Emmanuelle Huynh, e depois para Chut de Fanny de Chaillé, resultando numa ambiguidade percetiva para o espetador, entre a ilusão visual de uma paisagem em relevo e a realidade bidimensional na qual os intérpretes se vão transmutando. 

Por outro lado Stitchomythia relaciona-se com Lace, um projeto em curso de Zeena Parkins, iniciado em 2008 e baseado em fragmentos de renda recolhidos, até à data, em lugares da Escócia, Turquia, Bélgica, Espanha, Itália e França. É uma composição de múltiplos movimentos para improvisadores que propõe a renda como uma partitura que é percecionada como uma imagem cujos padrões variam de acordo com a distância e a proximidade do ponto de vista. O resultado é uma diversidade de leituras sugeridas pelas formas dos padrões e pelos padrões das formas – aqui justapostos, sobrepostos, adjacentes, paralelos, e pelas ações que constantemente se fazem e refazem. Aqui há uma malha, uma malha dentro de uma malha, um entrelaçamento de malhas repetido até ao infinito; das formas ao gesto, como num emaranhado de teias de aranha. 

Stitchomythia transmite uma inquietação no espaço/distribuição pela sua visibilidade extrema, oscilando entre a obsessão perigosa e o enfeitiçamento.


Imagem: Stitchomythia © Nadia Lauro
Enquanto artista visual e cenógrafa, Nadia Lauro tem apresentado o seu trabalho há várias décadas em múltiplos contextos: espaços cénicos, arquitetura paisagista, e museus. A artista concebeu cenários, ambientes e instalações visuais com forte poder dramatúrgico, gerando novas formas de ver e de estar juntos.
Lauro colaborou com os seguintes coreógrafos, músicos e artistas internacionais: Vera Mantero, Benoît Lachambre, Frans Poelstra, Barbara Kraus, Emmanuelle Huynh, Fanny de Chaillé, Alain Buffard, Antonija Livingstone, Latifa Laabissi, Jonathan Capdevielle, Laeticia Dosh e com Jennifer Lacey, com quem cocriou vários projetos. 
Recebeu um New York Dance and Perfomance Award (The Bessie) pela instalação visual para "$Shot” (Lacey/Lauro/Parkins/Cornell).
Em 1998, fundou o Squash Cake Bureau com a arquiteta Laurence Cremel para o desenvolvimento de projetos de design paisagista e mobiliário urbano.
Realizou a cenografia para concertos de Cocorosie, Gaspard Yurkévitch e Dani Siciliano.
Concebeu as instalações/performance "The montes”, "As Atletas”, "I hear voices” e desenvolveu ambientes para museus, teatros e galerias de arte na Europa, Japão e Coreia.
Para a 4ª edição do Un Nouveau Festival do Centre Pompidou, apresentou "La Clairière” (Fanny de Chaillé / Nadia Lauro), um ambiente visual imersivo desenhado para ouvir "Khhhhhhh”/ Langues Imaginaires et Inventées.
Desde 2014, Nadia Lauro é artista associada da Extension Sauvage Festival (Latifa Laabissi / Figure Project). 

Zeena Parkins é uma compositora electro-acústico, improvisadora e pioneira da prática e performance da harpa contemporânea. Parkins re-imagina a harpa acústica e a evolução de variações eléctricas deste instrumento por si criadas, através do uso de técnicas expandidas, preparações e processamentos. Numa constelação mutante entre improvisação, composição, gesto, toque, espaço, som, ruído e música, Parkins está envolvida em traduções de entidades sónicas, muitas vezes dentro de ambientes multicanal: arquitetónicos, emocionais, topográficos e sociais. 
Parkins recebeu encomendas do Whitney Museum, Tate Modern, Sharjah Art Foundation, NeXtWorks Ensemble, Donaueschinger Musiktage, Sudwestrundfunk, Bang in a Can Spit Orchestra e Merce Cunningham Dance Company e os prémios Doris Duke Artist Award, 3 Bessies (pelo seu trabalho inovador com dança), DAAD Fellowship, Shifting Fellowship, Foundation for Contemporary Arts, NYFA Fellowship, o menção honrosa no Prix Ars Electronica, entre outros. 
Residências artísticas incluem: Atlantic Center for the Arts Master Artist-in-Residence, Herb Alpert/ Ucross Prize, Rauschenberg Residency, Civitella Ranieri/Umbertide, Montalvo, Oxford University/The Ruskin School.
As colaborações em performances e gravações incluem artistas como Bjork, Ikue Mori, John Zorn, Fred Frith, Christian Marclay, Butch Morris, Elliott Sharp, William Winant, Nate Wooley, Nels Cline, Bobby Previte, Mick Barr, Mary Halvorson, Brian Chase, Leila Bourdreuil, Yuka C. Honda, Okkyung Lee, Matmos, Yoko Ono, Yasunao Tone, Pauline Oliveros, Kim Gordon, Thurston Moore, Lee Renaldo, ROVA Saxophone Quartet, Myra Melford e Miya Masaoka.
Parkins foi distinguida enquanto artista convidada no Mills College em Oakland, California.

  • LocalAuditório de Serralves
  • Horário18h00 - 19h00
  • Dias16 DEZ 2018

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