ADDITIONAL TONES: A TRIBUTE TO MARYANNE AMACHER

AMY CIMINI, BILL DIETZ, MARIANNE SCHROEDER & JOANA GAMA, THOMAS ANKERSMIT

Biblioteca e Auditório de Serralves
31 OUT 2020

Horário: 15:30 - 20:00

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Additional Tones: A Tribute to Maryanne Amacher constitui-se como homenagem, partilha e contribuição para um maior e merecido entendimento e visibilidade da obra e pensamento notáveis desta artista. O programa inclui uma conferência e sessão de audição comentada pelos investigadores e artistas Amy Cimini e Bill Dietz, a interpretação da composição para dois pianos Petra pelo duo inédito de pianistas constituído pela histórica Marianne Schroeder e a jovem portuguesa Joana Gama que aqui colaboram pela primeira vez, e a apresentação em mais uma estreia nacional de Perceptual Geographies para sintetizador Serge Modular de Thomas Ankersmit, uma peça inspirada por e dedicada a Amacher.   

 

Imagem: Maryanne Amacher at work at the Capp Street Project, San Francisco (1985), Photo by and Courtesy of Peggy Weil

 


Programa


AMY CIMINI E BILL DIETZ

15:30 Conferência

16:30 Sessão de audição comentada de excertos de obras eletrónicas de Maryanne Amacher

Biblioteca


MARIANNE SCHROEDER & JOANA GAMA apresentam “PETRA” de Maryanne Amacher

18:00, Auditório

 

THOMAS ANKERSMIT apresenta “PERCEPTUAL GEOGRAPHIES”

19:00, Auditório



Maryanne Amacher (1938-2009) foi uma compositora norte-americana que se destacou na criação de instalações sonoras e ambientes multimédia de grande escala e duração determinada. Estudou com Karlheinz Stockhausen e colaborou com Merce Cunningham e com John Cage. O seu trabalho foi pioneiro e visionário em várias áreas da criação musical e artística como a espacialização sonora, os novos media, a ecologia acústica, a inteligência artificial ou a psicoacústica, entre outras.

Ainda nos anos 1960, Amacher iniciava o trabalho com o que designava por “música de longa distância”, ou telemática, e que se viria a consolidar na série City Links, baseada na mistura em tempo real e num dado lugar dos sons transmitidos a partir de vários lugares e cidades remotos através de linhas telefónicas. Nos anos 1970, especializava-se no trabalho com o sintetizador Triadex Muse desenvolvido por Marvin Minsky usando princípios da inteligência artificial. Na série Music for Sound Joined Rooms (1980 -) ela usava a estrutura arquitetónica do lugar da instalação como medium material da obra, recorrendo a posicionamentos idiossincráticos das colunas de som. A sua Mini Sound Series, explorou o potencial dos sons enquanto personagens, aplicando os princípios dramatúrgicos das séries televisivas e de outras formatos populares ao relacionamento entre os sons e às formas como estes eram percecionados e transformados ao longo dos vários “episódios”.

O notável trabalho The Sounding of Casa de Serralves: Supreme Connections, apresentado em 2002, pode ser enquadrado em ambas as duas últimas séries. Nesta instalação sonora, visual e performativa, a Casa de Serralves foi transformada num lugar de experiências multidimensionais e imersivas. O som difundia-se através da estrutura arquitetónica, pelas salas, quartos, colunas e antecâmaras. A arquitetura dava forma à propagação do som e à sua audição. Os espaços da casa tornaram-se parte integrante do sistema de som e a casa, ela própria, num gigante instrumento musical. Em diferentes salas podíamos encontrar também elementos cénicos, ou vídeos e, desde o interior da casa, observavam-se estranhas criaturas a habitar os jardins no seu entorno. Para além de refletir a investigação de Amacher sobre a materialidade do som e as formas como este se propaga no espaço, este trabalho refletia ainda a exploração da fenomenologia da perceção (incluindo, nomeadamente, os sons emitidos pelo próprio ouvido) e da encenação da experiência enquanto elemento essencial nos processos de perceção. 

O reconhecimento internacional da importância e singularidade da obra de Amacher tem emergido recentemente e vem sendo manifesto em acontecimentos como a aquisição dos arquivos da artista pela New York Public Library for the Performing Arts no Lincoln Center, a constituição da The Maryanne Amacher Foundation e eventos dedicados à sua obra organizados por instituições como a Tate Modern e ICA em Londres, o Stedelijk Museum em Amesterdão e a Bienal de São Paulo.   


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“PERCEPTUAL GEOGRAPHIES” THOMAS ANKERSMIT
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“PERCEPTUAL GEOGRAPHIES”

THOMAS ANKERSMIT


Perceptual Geography é um projeto solo ao vivo de Thomas Ankersmit para sintetizador Serge Modular, inspirado na pesquisa pioneira de - e dedicado a - Maryanne Amacher, que ele conheceu em 2000 no Bard College. Nestas performances, Ankersmit explora diferentes “modos” de escuta: não apenas que sons e quando são ouvidos, mas também como e onde os sons são experimentados (na sala, no corpo, dentro da cabeça, longe, perto). As chamadas emissões otoacústicas (sons que emanam de dentro da cabeça, gerados pelos próprios ouvidos) desempenham um papel importante. Amacher foi a primeira artista a explorar sistematicamente o uso musical desses fenómenos.

O título do projeto surge de um conhecido artigo publicado por Amacher em 1979, onde ela escreve sobre “múltiplos pontos de vista perceptivos como resposta a eventos auditivos”.

A estreia teve lugar no festival CTM em Berlim e na noite GRM no festival Sonic Acts em Amsterdão.

 

Thomas Ankersmit é um músico e compositor holandês sediado em Berlim. Desde 2006, o seu principal instrumento é o sintetizador analógico modular Serge. Fenómenos acústicos, como reverberações sonoras, vibrações infra-sónicas, emissões otoacústicas e projeções altamente direcionais do som assumem um importante papel no seu trabalho assim como a utilização deliberadamente errada de equipamento. Ankersmit mantém colaborações de longa duração com o minimalista norte-americano Phill Niblock e com o compositor italiano Valerio Tricoli. O seu trabalho foi apresentado em locais como Hamburger Bahnhof e KW, Berlim; Museu Stedelijk, Amsterdão; Kunsthalle, Basileia; MoMA PS1, Nova Iorque; e em festivais de música experimental e contemporânea em todo o mundo.

 

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Marianne Schroeder & Joana Gama play “Petra” by Maryanne Amacher
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“PETRA” (1991), de Maryanne Amacher

MARIANNE SCHROEDER & JOANA GAMA (pianos)

 


Movida por um encontro com a pianista Marianne Schroeder, Mayanne Amacher compôs Petra para os ICSM World Music Days em Boswil, na Suíça, transportando para o universo acústico as suas metodologias de trabalho para composições eletrónicas. A peça é um trabalho amplo e longo baseado nas impressões de Amacher sobre a igreja em Boswil e no conto com o mesmo nome do escritor de ficção científica Greg Bear, no qual gárgulas ganham vida e procriam com humanos numa Notre Dame pós-apocalíptica. Não existe partitura definitiva para Petra, mas sim uma série de fragmentos e notas de trabalho deixados para serem decifrados, recentemente expandidos por notas e partituras recém-descobertas do Maryanne Amacher Archive.

A peça foi originalmente estreada em 1991 por Schroeder e Amacher, mas raramente executada desde então. Um muito elogiado recente lançamento em LP de uma gravação da peça veio dar-lhe um novo fôlego. A estreia de Petra em Portugal conta com Marianne Schroeder e a jovem pianista portuguesa Joana Gama.

 

A pianista e compositora suíça Marianne Schroeder é, hoje, uma das principais intérpretes da nova música. Reputada especialista na música de Giacinto Scelsi, com quem estudou extensivamente, e membro do coletivo de compositores Groupe Lacroix, Schroeder colaborou por muitos anos com John Cage e estreou obras de Dieter Schnebel, Walter Zimmermann, Chris Newman, Hans Otte, Pauline Oliveros, Karlheinz Stockhausen e obras de Morton Feldman dos anos 1950, em locais tão importantes como o Carnegie Hall em Nova Iorque ou o Théâtre des Champs-Élysées em Paris. Gravou mais de trinta edições em disco, incluindo estreias de peças de Stockhausen, Anthony Braxton, Feldman e Scelsi, e gravou as sonatas completas para piano de Galina Ustvolskaya.

 

Joana Gama é uma jovem pianista portuguesa que se desdobra em múltiplos projetos quer a solo, quer em colaborações nas áreas do cinema, da dança, do teatro, da fotografia e da música. Para além dos recitais, o seu percurso tem incluído colaborações com Luís Fernandes, João Godinho, Rafael Toral, Drumming GP, Eduardo Brito, Tânia Carvalho, Victor Hugo Pontes, João Fiadeiro, João Botelho, Manuel Mozos ou Sopa de Pedra.

Em 2010, com Erik Satie, O Peripatético, iniciou uma série de projetos dedicados a Erik Satie onde se incluem vários concertos, discos e a coordenação da edição do livro Embryons desséchés.

A sua discografia está presente nas editoras Shhpuma, Room40, mpmp, Pianola, Grand Piano e Boca/Douda Correria.


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Amy Cimini e Bill Bietz: Conferência e Sessão de Audição
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Conferência


Amy Cimini é uma historiadora e intérprete de música dos séculos XX e XXI. Em termos gerais, dedica-se ao estudo de como os performers, compositores e público praticam e teorizam a escuta como uma expressão de comunidade, sociabilidade e aliança política, com foco especial na improvisação, arte sonora e práticas de instalação. O seu livro, Listening in the Future Tense, examina o uso de fontes sonoras biológicas e ecológicas nos círculos musicais experimentais do final do século XX.

Cimini pesquisa, dá palestras e escreve sobre a obra de Maryanne Amacher. É autora de Wild Sound: Maryanne Amacher and the Tenses of Audible Life, um livro a ser publicado pela Oxford University Press.

 

Bill Dietz é compositor e escritor. Desde 2012, co-dirige a área de Música/Som do programa de mestrado do Bard College. O seu trabalho sobre a genealogia do concerto e a performance da audição levou-o a festivais como MaerzMusik e Donaueschinger Musiktage, museus como o Hamburger Bahnhof, Tate Modern e o Museo de Arte de Contemporáneo de Oaxaca, e publicações como Performance Research Journal, boundary 2 e o catálogo da Whitney Biennial de 2014. De 2016 a 2017, foi professor de Estudos de Som na Academy of Media Arts de Colónia. Em 2015, foi lançada uma monografia sobre seus Tutorial Diversions. Bill Dietz é membro fundador da Maryanne Amacher Foundation, criada com o objetivo de ampliar a compreensão do público sobre Amacher e o seu trabalho.

 

Amy Cimini e Bill Dietz são membros do grupo de ex-colaboradores de Amacher reunido sobre o nome de Supreme Connections para se envolverem coletivamente nas questões da vida póstuma do trabalho que a artista desenvolvia especifica e adaptativamente aos lugares. São os editores do próximo livro Maryanne Amacher: Selected Writings and Interviews, a primeira coleção de livros devotada a uma compositora cuja vida e obra são tão vastas quanto desconhecidas.

A DECORRER

TERMINADAS

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