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Cartas à Lourdes: das 4 às 5


III. Dinamarca

“Chegámos lá a fazer auto-stop, claro.” A Lourdes descreve a viagem que a levou à boleia desde a Alemanha até à Dinamarca através de três imagens, três impressões. A primeira é gustativa, a segunda e a terceira são visuais: ofereceram-lhe fatias de pão com manteiga, alimentos que a partir daí se confundem na sua cabeça com o país (soube depois que na Dinamarca a expressão “vamos comer pão com manteiga” equivale ao nosso “vamos almoçar”); viu, numa praia do Mar do Norte, uns homens muito altos, vestidos com sobretudos escuros, que soube depois serem russos; quis ver imediatamente, quando chegou a Copenhaga, a famosa escultura da Pequena Sereia. Impressionou-a ser tão pouco impressionante, pequena, quase se confundindo – bem camuflada, bronze quase da mesma cor – com as rochas em volta. Humilde como os postais.

Ricardo Nicolau, 6 de abril de 2020