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O MUSEU COMO PERFORMANCE 2018
de 08 SET 2018 a 09 SET 2018
ARTISTAS: ASUNA (JP), ALEX BACZYNSKI-JENKINS (UK/HR), FRÉDÉRIC GIES (FR/SE), HANNAH CATHERINE JONES A.K.A FOXY MORON (UK), CATARINA MIRANDA (PT), VERA MOTA (PT), XAVIER PAES (PT), RUI PENHA/JOÃO DIAS (PT), FATIMA AL QADIRI (SN/DE), NINA SANTES (FR), NORA TURATO (HR/NL)

Organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves desde 2015, "O Museu como Performance” é uma plataforma dedicada às novas práticas da performance que reconhece a sua importância crescente no campo das artes visuais. Este eixo de programação também vem sedimentar e ampliar a história transdisciplinar do Museu de Serralves.   

A sua quarta edição reúne doze trabalhos recentes de artistas portugueses e internacionais abrangendo e cruzando dança, música, narrativas faladas, performances visuais e sonoras. O programa inclui encomendas em estreia absoluta e adaptações aos espaços de Serralves, num reconhecimento do potencial do seu singular contexto arquitetónico. 

Ao longo de dois dias, através da voz, corpos, gestos e narrativas, propõe-se diversas formas de desconstruir convenções disciplinares e normatividades.

PROGRAMAÇÃO
SÁBADO, 8 de Setembro 
14h00 - Boas-vindas pelo Diretor do Museu
14h30 – 17h00 – "curva contínua” VERA MOTA - Galerias do Museu
15h30 – 15h55 – "Im happy to own my implicit biases" NORA TURATO - Biblioteca
16h15 – 16h50 – "Berrante” XAVIER PAES - Hall do Museu
17h00 – 18h00 – "Self Made Man” NINA SANTES - Auditório 
17h30 – 20h30 – "Us Swerve” ALEX BACZYNSKI-JENKINS - Hall do Museu (performance duracional)
19h00 – 19h25 – "Im happy to own my implicit biases" NORA TURATO – Foyer Auditório
19h30 – 21h00 – "100 keyboards” ASUNA - Biblioteca 
20h00 – 20h30 – "Mazezam” CATARINA MIRANDA - Galerias do Museu
20h30 – 21h00 – "Owed to Suspension” HANNAH CATHERINE JONES a.k.a. FOXY MORON - Auditório


DOMINGO, 9 de Setembro
15h00 – 15h30 - "Mazezam” CATARINA MIRANDA - Galerias do Museu
15h30 – 15h55 - "Im happy to own my implicit biases" - NORA TURATO - Sacristia da Capela 
16h30 – 17h00 - "Owed to White Noise” HANNAH CATHERINE JONES a.k.a. FOXY MORON – Auditório
17h30 – 18h00 - "Metal Locker Acoustics" XAVIER PAES - Capela
18h00 – 22h00 - "Dance is Ancient” FRÉDÉRIC GIES - Casa (performance duracional) 
18h30 – 18h45 - "auditorium” RUI PENHA/JOÃO DIAS - Galerias do Museu
18h30 – 20h00 - "100 keyboards” ASUNA - Biblioteca do Museu 
20h15 – 20h30 - "auditorium” RUI PENHA/JOÃO DIAS - Galerias do Museu 
20h30 – 20h55 - "Im happy to own my implicit biases" NORA TURATO - Sacristia da Capela 
22h30 – 23h30 - "Shaneera” FATIMA AL QADIRI - Auditório

Acesso: mediante aquisição de bilhete Museu (10€)
Desconto de 25% na aquisição de bilhete para os dois dias (15€). Cumulativo com os descontos habituais (50% para Estudantes e >65 anos).
Amigos de Serralves: Entrada gratuita
Sujeito à lotação do espaço.
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  • LocalMuseu de Serralves
  • Dias 08 SET 2018 - 09 SET 2018
  • Preço€ 10,00
Asuna é um artista sonoro japonês ativo desde o início dos anos 2000, produzindo trabalhos de instalação, performances ao vivo e gravações discográficas. Desde 2002, tem vindo a desenvolver um tipo de música eletrónica muito pessoal, na qual explora a etimologia do órgão eletrónico, na sua maioria velhos teclados sonoros de brincar.
Para esta instalação/performance, Asuna usa 100 pequenos teclados operados a pilhas.
O trabalho foca-se nos "sons de interferência/ressonâncias moiré”, um fenômeno originado quando ondas sonoras da mesma frequência se propagam em direções diferentes, sobrepondo-se umas às outras. A interferência complexa e ressonância acústica cria um som diferente para cada posição no espaço.
Como os teclados são produtos baratos, a maioria dos quais produzidos como brinquedos, o som/afinação de cada um é ligeiramente diferente ou a transição entre tons é instável devido ao facto poder de condução da bateria, aumentando a complexa interferência de sons e ressonâncias no espaço, criando diferentes loops de ondulação no seio de uma experiência auditiva site-specific.

Em Us Swerve, Alex Baczynski-Jenkins encena uma partitura coreográfica para uma constelação de artistas em patins de linha que circula ao longo de horas, recitando e reformulando fragmentos de poesias sobre o desejo e o afeto. Diferentes extratos destes poemas são registados em polifonia pelos rollerskaters e modificados pela direção e alteração dos seus movimentos na circulação pelo espaço,
Através de um discurso contínuo, os artistas guiam-nos por um arquivo estranho de versos e modelações, de autoria dos escritores e poetas Essex Hemphill, Eileen Myles e Langston Hughes, entre outros. Trata-se de uma corrente literária suave e em movimento que estabelece um diálogo melancólico, situado entre a atração e a repetição.  

Alex Baczynski-Jenkins trabalha com coreografia e performance. A sua prática centra-se na mediação e na política do afecto e da representação. As suas obras foram apresentadas na David Roberts Art Foundation, Delfina Foundation, Basel Liste,  Block Universe, Home Works Beirut, Whitechapel Gallery and the Sophiensaele Theatre. Jenkins é co-fundador do espaço artístico Kem, em Varsóvia. Possui o Bacharelato em Contemporary Dance, Choreography, Context, na Universidade de Belas Artes, em Berlim e o Mestrado em Aural e Cultura Visual, na Universidade Goldsmiths, em Londres. Jenkins foi ainda participante no programa da Ashkal Alwan’s Home Workspace, em Beirute.

Frédéric Gies é um artista do campo da dança experimental sediado em Estocolmo. Depois de dançar em peças de vários coreógrafos franceses nos anos 1990 (Daniel Larrieu, Olivia Grandville, Odile Duboc, Jean-François Duroure, Bernard Glandier e Christophe Haleb), começou a desenvolver o seu próprio trabalho, baseado na questão de como podem a dança e a coreografia abordar a política de uma forma não representacional. As suas peças têm origem em processos de pesquisa de movimento muito rigorosos, informados pela sua experiência no campo de práticas somáticas e em formas específicas de dança contemporânea, pela sua formação em ballet clássico e pela sua participação nas culturas techno e rave. As danças criadas por Gies fazem colapsar de várias formas as hierarquias e distinções entre diferentes formas de dança.

Os seus últimos trabalhos estão intimamente relacionados com as suas experiências em discotecas e raves. Em todos eles, Gies colabora com Fiedel, um Dj residente em Berghain e com o artista visual Anton Stoianov. São concebidos como encontros sociais de longa duração centrados na dança e na música techno, nos quais a audiência é interpelada de diversas formas. Em 2016, criou com Fiedel, Stoianov e Thomas Zamolo a performance duracional (entre 7 a 10 horas) Dance is ancient. Concebida como um rito, Gies dança batidas contagiosas da música techno, em redor de uma escultura totémica criada por Anton Stoianov e sob as luzes reminiscentes da pista de dança de Thomas Zamolo. 

Dance is ancient abre um espaço para a multiplicidade de movimentos individuais e colectivos ainda por inventar. Devolve o foco à pista de dança e aos poderes mágicos do acto de dançar. 

Com formação em dança e em artes visuais, a prática artística de Catarina Miranda (Coimbra, 1982) que se divide entre a coreografia, a performance, o vídeo e a instalação – situa-se na intercepção entre imagem, movimento, voz, cenografia e luz, encarando o corpo enquanto um recipiente, ou condutor, de procedimentos e de gestos que conduzam a uma consciência visceral do presente.  
A artista apresentou as peças BOCA MURALHA, REIPOSTO REIMORTO, SHARK e RAM MAN entre o Festival Materiais Diversos, Festival Circular, Teatro Municipal do Porto, Dock11 Berlim, DanceBox em Kobe/Japão e o Teatro Nacional São João.
Terminou recentemente o mestrado EXERCE no ICI-CCN de Montpellier/Fr e os Estudos em Teatro Noh no Programa TTT em Kyoto/Jp; é licenciada em Pintura pela FBAUP.
Em Serralves, a artista apresentará a peça Mazezam. 

MAZEZAM

Exercício coreográfico de refração espacial, onde dois corpos em rotação ininterrupta desenham um percurso simultaneamente estático e progressivo. 
A repetição do gesto e da luz vem potenciar a transformação das matérias cénicas e orgânicas e redefinir a percepção hipnagógica do tempo. A composição sonora ocupa o espaço cénico e cosmológico e aproxima-se de estratégias tímbricas da música concreta e do teatro N? Japonês.
Mazezam é uma performance inspirada na obra "Bardo Thodol” e desenvolve a ideia do corpo em transição.

Concepção, Luz, Figurinos — Catarina Miranda; Performance — Alexandre Tavares, Marco Tavares; Composição Sonora — Jonathan Uliel Saldanha


Hannah Catherine Jones é uma artista, pesquisadora, apresentadora de rádio, compositora, maestrina e fundadora do projeto comunitário Peckham Chamber Orchestra que vive e trabalha em Londres. Jones actua frequentemente sob o pseudónimo Foxy Moron, criando trabalhos em que justapõe modalidades musicais arcaicas e timbres de ficção científica para produzir aquilo a que chama "antagonismos sónicos”. Estes "sons em oposição” são um veículo para reflectir sobre os dolorosos legados da escravatura e os seus efeitos e afectos que ainda se fazem sentir, mas também para aferir das possibilidades conceptuais do Afrofuturismo – reimaginar o passado enquanto se olha para o futuro. As performances de Foxy Moron são frequentemente cantadas em Zulu, reflectindo a ascendência caribenha e sul-africana da artista, e são entendidas por Jones como "uma forma de auto-reparação – de reeducar-me através da descolonização”. 
Integral a este eixo central da prática de Jones está a série de rituais sónicos "The Oweds” usando combinações de voz, theremin, instrumentos de cordas e projeções vídeo, às vezes orquestrados, predominantemente improvisados. Jones apresenta em Serralves duas iterações desta série: "Owed to Suspension” (2018) e "Owed to White Noise” (2017).  

Jones é atualmente investigadora do AHRC DPhil na Universidade de Oxford, explorando a relação entre o Afrofuturismo e a Gesamtkunstwerk através da música e arte de Sun Ra e Wagner. É responsável pelos programas de rádio Late Junction (BBC Radio 3) e The Opera Show (NTS Radio). Já se apresentou ao vivo e lecionou internacionalmente na Oxford University, Trinity LABAN Conservatoire, Royal College of Art, London College of Comunication, Liverpool Bienniel (Reino Unido), NYU, Harvard University (EUA), Umuzi (África do Sul), Liquid Architecture (Austrália), entre outros. Expôs em museus  , centros de arte e galerias como o Beirut Arts Centre, Modern Art Oxford, Tate Modern, Gasworks, Guest Projects, Vitrine, IMT, Almanac e Whitechapel.

A prática artística de Vera Mota (Porto, 1982) divide-se entre a performance, a escultura, o desenho e a instalação. O seu trabalho, embora seja visualmente identificado com princípios minimalistas, explora o conflicto entre ordem e acidente, entre organização e erro. Vera Mota atribui uma particular atenção a uma espécie de "economia da presença”, ao esforço e à acção, procurando, através de gestos muito simples criar novos significados para determinados materiais de uso quotidiano. Em Serralves, a artista apresentará uma performance inédita em que tira partido das qualidades, nomeadamente sonoras, de uma matéria tão comum – pelo menos nas cozinhas – como folhas de papel de alumínio.     
O trabalho de Vera Mota foi apresentado em exposições no Fórum Engénio Almeida (Évora), Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), Galeria Municipal Almeida Garrett (Porto), SESC (São Paulo), Sismógrafo (Porto, Portugal), Matadero (Madrid) e Fundação de Serralves (Porto), entre outros.
Em Serralves, a artista apresentará, em estreia, a performance Curva contínua.

Curva contínua
Numa curva contínua, abre-se a fenda até que nela se veja o fim.
A figura percorre a orla de um reflexo, 
levantando na ponta dos dedos o plano sibilante, 
espessando de tempo a forma inteira.

Praticante nas áreas das artes plásticas e intermédia, música experimental improvisada, performance, activismo e multi-instrumentalismo, Xavier Paes (Coimbra, 1994), divide o seu tempo entre a exploração sonoplasta e uma Licenciatura no ramo de Multimédia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Trabalha a solo e em projectos colectivos como Dyslexic Project e Favela Discos, entre outras colectividades efémeras, em busca da potencialidade sonora e estética das coisas, tendo performado regularmente desde 2015, incluindo espaços como o Stichting Centrum (Haia), OCCII (Amesterdão), Vondelbunker - Free Fringe Festival (Amesterdão), L’International (Paris) e Serralves (Serralves em Festa 2017 e 2018).

Berrante

Apresentada pela primeira vez ao público no âmbito do evento "Serralves em Festa" de 2018 através do Grupo Sintoma, Berrante é uma performance sonora que passa pela exploração de frequências harmónicas de uma estaca com três metros de comprimento. Partindo dos conceitos de tensão e equilíbrio, através de movimentos de percussão e fricção, é feita uma abordagem quase primitivista ao objecto, em busca de um som que nos remete para dimensões arcaicas, período remotos, numa performance dividida em dois momentos, com a participação especial de Olank Monk e Inês Silva.
   
Metal Locker Acoustics  

Metal Locker Acoustics é uma performance sonora onde são exploradas as potencialidades acústicas de um armário de cacifos metálico amplificado. Por meio de estímulos físicos como fricção e percussão, é criada uma composição baseada na ideia de ostinato com apoio em pedais de efeitos, onde as diferentes partes que compõem um cacifo são utilizadas como membros de um instrumento, emitindo ruídos dos locais mais inesperados, imergindo progressivamente num corpo sonoro disforme, marcado por ritmos desconcertantes e vozes metálicas em êxtase.

Rui Penha (Porto, 1981) é um compositor e artista de música electroacústica ao vivo. A sua música, marcada pelo seu interesse profundo em tecnologias musicais – quer em programação de software quer em desenvolvimento de novas interfaces para expressão musical – tem sido tocada por toda a Europa por músicos e formações como Peter Evans, Pedro Carneiro, Arditti Quartet, Remix Ensemble e Orquestra Gulbenkian, entre outros. Em Serralves, a sua música será interpretada por João Dias (Oliveira de Azeméis, 1986), percussionista, licenciado e mestre pela ESMAE (Porto) na classe de Miquel Bernat, Nuno Aroso e Manuel Campos, e doutorando em Artes Musicais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Enquanto intérprete, destacam-se as suas colaborações com o Drumming Grupo de Percussão, Remix Ensemble, Orquestra Sinfónica da Casa da Música e Orquestra Gulbenkian. 
Artista visual, música e compositora nascida no Senegal em 1981, criada no Kuwait e a viver actualmente em Nova Iorque, Fatima Al Qadiri explora no seu trabalho experiências e memórias da guerra, e desafia as percepções ocidentais de outras culturas. Em 2013, Al Qadiri passou a integrar o colectivo GCC, cujo trabalho foi exposto no MoMA PS1, no Fridericianum, na Sharjah Art Foundation e no Whitney Museum of American Art. Uma das vozes da música electrónica actual, Al Qadiri, além do seu trabalho a solo, integra o grupo Future Brown. 

Respondendo ao desafio para apresentar ao vivo o seu mais recente registo discográfico, "Shaneera”, Al Qadiri estreou na edição de 2018 do festival Sónar em Barcelona o poderoso show audiovisual relativo a este trabalho. Shaneera é a pronúncia errada em inglês da palavra árabe, shanee'a (?????), que significa literalmente "ultrajante, abominável, hediondo, grave e sujo".
Numa outra iteração da palavra, enquanto gíria queer usada no Kuwait e em alguns países árabes - uma outra luz, esta positiva e desejável, é lançada sobre esses atributos. Shaneera refere-se a uma persona que desafia géneros (ou a estados ou ações temporárias e transitórias), sendo uma "queen” malvada.

As letras são sugestivas, suplicantes, venenosas e amorosas, algumas originais, outras resultando de material retrabalhado a partir de chats do Grindr, online drag e sketches de comédia "femme”. A língua é uma mistura de árabe kuwaitiano e egípcio com iraquiano proverbial. Musicalmente, o projeto combina o Khaleeji (do Golfo Árabe), secções rítmicas de bateria ocidentais e melodias de arabesco.

"Shaneera” habita um território volátil e encoberto, entre a masculinidade e a feminilidade, sendo uma carta de amor dirigida às "queens” boas e más em todo o mundo.

Nina Santes pertence a uma geração de artistas oriundos do teatro ambulante e de marionetas, estando o início da sua carreira ligado às marionetas. 
Sensível ao cruzamento de práticas, Santes desenvolve regularmente colaborações com os mundos das artes visuais, da música e da moda.
Santes colaborou como performer com os artistas e coreógrafos Mylène Benoit, Myriam Gourfink, Catherine Contour, Pascal Rambert, Kevin John, Olivier Normand, Laurence Pagès, Hélène Cathala, Perrine Valli, Éléonore Didier, Philippe Grandrieux, Herman Diephuis.
É a autora de peças coreográficas e musicais, incluindo Désastre (2012), em colaboração com o compositor Kasper Toeplitz, Transmorphonema (2014), um dueto com o coreógrafo Daniel Linehan e self-made man (2015). Em 2016,  assinou o duo A leaf, far and ever, criado em colaboração com Célia Gondol e mais recentemente Hymen, hymme, uma peça para cinco performers, estreada em janeiro, no Festival Pharenheit, Havre, Normandia.

Self made man
Em Self made man, Santes entrecruza o movimento, a voz falada e cantada, e implemento a cenografia em tempo real. Ao articular estas múltiplas práticas, a artista encara o plateau como lugar de um possível artesanato, como um ateliê de fabrico à vista de todos, em direto. Um espaço virgem dedicado ao fazer, comandado por um espírito autodidata, faça-você-mesmo e intuitivo. Estaleiro ocupado por um corpo e um espaço, Self made man celebra o equilíbrio entre o tempo da prática concreta e o tempo da contemplação. Trata-se de (se) construir. (De) construir. (Re) construir. O corpo, o som, figuras, paisagens, ficções. Uma linguagem, uma forma de nos relacionarmos com o mundo. Self made man é uma partitura polifónica para um autodidata solitário. É a formulação de uma linguagem para a reinvenção de si-mesmo. É a realização lenta e progressiva de uma utopia enterrada. 

As performances spoken word de Nora Turato partem de uma observação precisa da vida quotidiana. Através da ênfase colocada na forma como diz os textos (nomeadamente, a atenção ao ritmo e à melodia), a artista acentua a urgência dos temas socio-culturais abordados. 
Com uma expressão facial destemida, uma exagerada aparência feminina, uma pose determinada e um ritmo frenético, Nora Turato mistura e despeja pedaços de conversas, trechos de literatura, textos publicados em redes sociais, e frustrações políticas e sociais que contribuem para criar uma paisagem sonora tão impulsiva e apaixonada quanto melódica – não por acaso, as suas performances, graças ao seu ritmo particular e ao seu desafio a convenções artísticas e sociais, são normalmente relacionadas com o hip-hop e com o punk. 


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