Conversa

Entre a liberdade e a violência – Encontro com ZABRA

O MUSEU COMO PERFORMANCE

Biblioteca
07 NOV 2026 | 11:30

Acesso gratuito

0711 Entre a liberdade e a violência
(c) Beatriz Sarmento

Entre a liberdade e a violência


Ponto de partida: o corpo enquanto lugar de memória, resistência e transformação. Convocamos para esta conversa aquilo que nos leva a transformar, entre a liberdade e a violência, e que narrativas albergamos nos corpos para contarmos algo para o amanhã. O corpo ativa a memória, inscreve e reconfigura. As imagens vividas tornam-se imagens sobreviventes, transformando-se no cruzamento entre memórias e não-memórias, entre diferentes olhares e experiências. Neste movimento, aquilo que se entende por selvagem, bárbaro ou violento não é fixo, mas depende de quem nomeia e de quem detém o poder de estabelecer essas fronteiras. Entre a liberdade e a violência, o corpo é simultaneamente matéria de destruição, expansão e regeneração. Um lugar de exposição ao risco, mas também de interioridade e construção, onde se torna possível atravessar o próprio colapso e imaginar outras formas de existência.


E se o corpo já não for apenas humano? Hoje, vozes, gestos e memórias são extraídos para treinar máquinas, muitas vezes sem consentimento, numa nova forma de violência sobre os corpos. Mas a mesma tecnologia pode abrir outras possibilidades: corpos híbridos, relações interespécies e formas de existência em simbiose com o natural e o artificial. Também aqui a fronteira entre humano e não-humano, natural e artificial, depende de quem nomeia.


No âmbito da 12.ª edição de Museu como Performance, propomos uma conversa com ZABRA – Centro de Investigação de Arte Pós-humana, Carincur e João Pedro Fonseca, concebida como um espaço de pensamento paralelo às performances do programa. Com lugar na Biblioteca do Museu, a conversa parte dos livros e das referências que habitam este espaço para abrir um diálogo em torno de algumas das questões que atravessam esta edição: a transformação dos corpos e o trajeto entre a liberdade e a violência.


Carincur e João Pedro Fonseca são artistas-investigadores e colaboram desde 2020. Codirigem a ZABRA, em Lisboa, que se afirmou como o primeiro centro de investigação de arte pós-humana em Portugal, cruzando arte, tecnologia e ciência. A sua prática explora relações interespécies, ecologias do cuidado e novas formas de inteligência cultural, em diálogo entre inteligências humanas, mais-que-humanas e artificiais. Defendem uma abordagem ética à tecnologia, desenvolvendo modelos de inteligência artificial treinados exclusivamente com materiais próprios e consentidos. Entre os seus projetos recentes destacam-se carne.exe (2025), encomenda do Teatro Nacional D. Maria II, JEZABEL (2024), entidade digital autónoma comissionada pela ModaLisboa, e Jeffthielmusk®, ensaio performativo sobre cultos tecnológicos, comissionado pela Braga Media Arts para a INDEX – Bienal de Arte e Tecnologia.

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Carincur é artista transdisciplinar e investigadora de técnicas de criação de arte pós-humanas. Tem desenvolvido a sua prática tecendo a imagem do ser humano num híbrido com tecnologia. Explorando realidades estendidas (VR/ AR/ MR), inteligência artificial, fenómenos acústicos, percepções visuais e a voz como um dispositivo de síntese, procura criar vozes trans-sintéticas e pós-humanas para entender as transições entre corpos orgânicos e digitais. Já lançou três álbuns, “Sorry if I make love with sound”, “Echos from a liquid memory” e o seu mais recente projeto “BODY AS A FROZEN METAPHOR”. O seu trabalho sonoro já foi editado por Weathervane Recs, Extended Records, Culturgest e ZABRA - Centro de Investigação de Arte Pós-Humana do qual é coDiretora.


Créditos de Imagem: Vera Marmelo

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