SESSÃO DE CINEMA

SE EU FOSSE LADRÃO... ROUBAVA

MANOEL DE OLIVEIRA E O CINEMA PORTUGUÊS 3

COM APRESENTAÇÃO DE REGINA GUIMARÃES, ESCRITORA E VIDEASTA

Auditório da Casa do Cinema de Oliveira
14 OUT 2026 | 17:00

Bilhete: 3€ Estudante/Jovem, Maiores de 64 e Amigos de Serralves: 1.5€

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1410 SE EU FOSSE LADRÃO... ROUBAVA
Fotograma de "Se eu fosse ladrão... Roubava" (2013), Paulo Rocha

Quadragésima sexta sessão ciclo de cinema Manoel de Oliveira e o Cinema Português 3, paralelo à terceira parte da exposição com o mesmo nome. A sessão contará com a projeção de Se eu Fosse Ladrão... Roubava (2013) de Paulo Rocha, com apresentação da escritora e videasta Regina Guimarães.

14 OUT | QUA | 17:00S

E EU FOSSE LADRÃO... ROUBAVA

Paulo Rocha | POR | 2013 | 97'


Partindo da memória familiar e da matéria dos seus filmes, Paulo Rocha revisita as suas origens e as referências maiores da sua vida e obra, numa construção fluida e complexa, que é conscientemente testamental embora só indiretamente autobiográfica (ele filma-se através do pai e dos personagens da sua obra). O motor inicial do filme é a evocação da infância e juventude do pai do autor, em particular o sonho obsessivo deste, na altura partilhado por muitos, de emigrar para o Brasil, para onde partiu efetivamente em 1909 (embora a cronologia verdadeira, tal como os factos e os nomes, sejam alterados, ou por vezes deslocados, em função das rimas com os outros filmes). Mas este tema familiar cruza-se desde o início com o grande mundo da obra de Rocha, num puzzle de raccords temáticos que se dirige para dentro e para trás (a busca do centro, ou da origem…) tanto quanto para fora (a constante ampliação de sentido, a identidade de um país). Paulo Rocha fala portanto da sua própria necessidade de partir, e da interrogação de Portugal através da distância – o tempo formativo em Paris, depois a longa estada no Japão -, assim como fala da morte, mas também da doença e de um medo tornados endémicos, corrosivos de um país. Em paralelo, vão surgindo, nos excertos dos seus filmes, grandes referências da sua obra: homens como o escritor radicado no Japão Wenceslau de Moraes (1854-1929), o poeta Camilo Pessanha (1867-1926) ou o pintor Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918) – todos representantes de um fulgor criativo dos inícios do século tanto quanto justamente, de uma relação problemática com o país de origem. Por outro lado Se eu fosse ladrão… é ainda um repositório de um outro diálogo estruturante da obra de Paulo Rocha – neste caso, particularmente associado a Amadeo – em que a inspiração na cultura universal se funde com um trabalho genuíno, dir-se-ia antropológico, sobre a cultura popular portuguesa, em especial centrada na região norte do país (os pescadores do Furadouro, o vale do Douro…).

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