Margherita Morgantin, COSMIC SILENCE (Fluorescence)

O MUSEU COMO PERFORMANCE

11 - 12 SET 2021

Horário: 10:00 - 20:00

2109 Margherita Morgantin, COSMIC SILENCE (Fluorescence) 11 set

Imagem: Margherita Morgantin


O projeto da artista italiana Margherita Morgantin para o Museu de Serralves no Porto, por ocasião de O Museu como Performance, intitula-se COSMIC SILENCE (Fluorescence) [SILÊNCIO CÓSMICO (fluorescência)] e faz parte do projeto VIP = Violation of the Pauli exclusion principle SOPRA LA MONTAGNA SOTTO LA MONTAGNA [Violação do princípio de exclusão de Pauli, SOBRE A MONTANHA, SOB A MONTANHA]. Trata-se de uma instalação de um vídeo ambiental filmado em planaltos de montanha, apresentando mangas de vento que indicam os movimentos invisíveis do ar, criando um novo ponto de referência visual para os observadores sensíveis às mudanças atmosféricas. O restolhar das mangas de vento é acompanhado pela difusão das traduções acústicas dos espectros de onda sub-nucleares (em colaboração com a música eletrónica Ilaria Lemmo) e por um diário de viagem sonoro criado para esta ocasião.


As experiências que fizeram parte de COSMIC SILENCE, e que ainda decorrem, pretendem aprofundar o estudo dos mecanismos moleculares envolvidos na resposta biológica à radiação ambiental em sistemas modelo, quer in vitro quer in vivo, a diferentes níveis da escala filogenética.

A manga de vento, um elemento simbólico ligado à meteorologia, tem acompanhado a investigação da artista desde há anos, e é também um sinal literal nas zonas de autoestrada expostas a ventos fortes ao longo da rota terrestre que a artista percorreu de Itália ao Porto e vice-versa. As mangas de vento instaladas em Serralves são cosidas com fragmentos de roupa fluorescente usada pelos trabalhadores das autoestradas. O comentário áudio que se pode ouvir, mistura a tradução acústica do espectro radioativo das experiências de física nuclear nos laboratórios de Gran Sasso (mais precisamente no túnel de neutrinos) com os sons gravados ao longo da viagem por terra que seguiu a necessidade de verificação geográfica do mundo após os meses de confinamento: a necessidade física de apontar no sentido de um horizonte oceânico, chegando à costa atlântica portuguesa sem recorrer a qualquer voo.


"Se os elementos invisíveis e microscópicos redefinem as leis do movimento e os destinos dos corpos no planeta, um novo sistema audiovisual de sinais rodoviários   acompanha a experiência de um espaço que foi redescoberto ou que talvez tenha estado disponível pela última vez". (M.M.)

Os quatro trabalhos que formam a intervenção para O Museu como Performance são ao mesmo tempo vestígios da passagem da artista e sinais de movimentos de partículas. Estes incluem a instalação vídeo Campo base. Una specie del vento [Campo Base. Uma espécie de vento] (som, cor, 2h 15 '): o início da monitorização climática e performativa do projeto VIP = Violation of the Pauli exclusion principle SOPRA LA MONTAGNA SOTTO LA MONTAGNA; Cosmic Silence 1, MIRA (manga de vento instalada na torre da capela da Casa de Serralves); Cosmic Silence 2, fluorescence 1 (manga de vento instalada no vão das escadas da torre e faixa áudio ambiente – tradução de espectros VIP); Cosmic Silence 3, fluorescence 2 (manga de vento instalada no exterior da “casa do fresco” dos jardins de Serralves e áudio-difusão ao longo do interior desse espaço de uma faixa áudio sobre texto com base de sons extraídos da gravação integral da viagem de carro da artista de Serralves até Milão). 

A cordilheira Gran Sasso, no centro de Itália, é o centro físico e simbólico da investigação de Margherita Morgantin graças à sua excecional dupla perspetiva.


VIP é uma via de investigação que parte da observação de algumas imagens da física sub-nuclear e da astrofísica numa relação com a imaginação artística praticada através de um método de sensibilidade pessoal como forma de dado científico. O título toma de empréstimo o nome de uma experiência em física de partículas que tem vindo a ser realizada ao longo de anos nos laboratórios subterrâneos de Gran Sasso do Instituto Nacional de Física Nuclear sob o maciço de Gran Sasso. VIP é a abreviatura que designa a pesquisa experimental em busca de “átomos impossíveis”, cujo surgimento violaria o princípio de exclusão de Pauli, ainda considerado uma das pedras de toque do nosso entendimento do universo e da matéria. Em VIP, o corpo e experiência da artista tornam-se parte dos instrumentos científicos usados na investigação de campo. VIP tem-se desenrolado entre 2020 e 2021 com vários graus de envolvimento de vários interlocutores e públicos no processamento e apresentação dos seus resultados. 

 

Produção: Xing, 2021

VIP = Violation of the Pauli exclusion principle, SOTTO LA MONTAGNA, SOPRA LA MONTAGNA é realizado graças ao apoio do Italian Council (VIII edizione 2020).

A DECORRER

TERMINADAS

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