Laura Palma: Where the Flowers Bloom
novobanco Revelação 2026
Inauguração 22:00 | Acesso gratuito
Acesso gratuito

Laura Palma. Tiago, Carcavelos, 2021. Cortesia da artista.
Laura Palma, o nome da jovem fotógrafa vencedora da edição de 2026 do prémio novobanco Revelação, é praticamente homófono do nome da personagem que dá o título a uma série de televisão do realizador norte-americano David Lynch, estreada em 1991, e que se tornou um fenómeno cultural que perdura até hoje (são inúmeras as referências, principalmente na música pop e rock, ao nome da personagem que, embora ausente na maioria dos episódios, é o grande motor da trama de Twin Peaks). Digamos que a artista tem um daqueles nomes a que se é obrigado a fazer jus. O seu trabalho, centrado no retrato, permite que a associemos ao realizador para lá do seu nome: podemos aproximar a questão da identidade no centro da sua obra cinematográfica (sempre mutável, indefinível) à forma como Laura Palma faz desfilar momentos do seu quotidiano plasmados em retratos de amigos (também eles em mutação); como podemos associar a decisão cenográfica de ter as fotografias posicionadas sobre uma cortina de veludo (azul) a um dos filmes mais conhecidos de Lynch. Que vejamos esta solução, proposta pela artista sem ter pensado naquela referência cinematográfica, como iminentemente “lynchiana”, mostra exemplarmente o quanto um determinado nome pode, mesmo inadvertidamente, transportar uma herança, e evocar certas referências. Laura Palmer assombra Laura Palma.
A singularidade da artista radica, em grande medida, na forma convicta com que, quando muitos reconhecem a dificuldade de fotografar pessoas (em tempos em que nos fotografamos ou somos fotografados regularmente), insiste em fazer do retrato o centro da sua prática. Raramente encenadas ou sequer preparadas, as imagens dos seus amigos e amigas testemunham aquilo a que já alguém chamou "distância certa": suficientemente aproximadas para revelar cumplicidade, suficientemente afastadas para fazer perdurar o mistério e a impenetrabilidade de qualquer modelo. Por vezes, a mesma pessoa surge em fotografias diferentes. Podemos não a reconhecer imediatamente: a sua mutabilidade aproxima-as do único animal isolado numa imagem de Laura Palma, o camaleão.
Organizada pela Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, a exposição é comissariada por Ricardo Nicolau e coordenada por Giovana Gabriel.
Por ocasião da exposição, é publicada uma monografia da artista que, além das suas imagens inclui textos do curador da exposição e do fotógrafo e editor André Príncipe.
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Laura Palma nasceu em Vila Franca de Xira em 1998. Iniciou o estudo de fotografia na Escola Artística António Arroio, tendo mais tarde ingressado no curso de Fotografia da Universidade Lusófona de Tecnologias e Humanidades de Lisboa. Estudou ainda na Ar.co Lisboa. Fotografa regular e analogicamente desde 2016. Em 2021 estagiou no LESMA - Festival de Fotografia Lenta, organizado por Sofia Silva e Paula Lourenço. Em 2025 integrou o projeto Lisboa Mesma Outra Cidade II, coordenado por Catarina Botelho e David-Alexandre Guéniot, com edição da Ghost Editions. Atualmente, está a preparar o seu primeiro livro de fotografia.