MODOS DE REVER: O CINEMA SOB INFLUÊNCIA (DA PINTURA)
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Fotografia de rodagem de Os Canibais (Manoel de Oliveira, 1988).
O cinema, ou como prefere Robert Bresson, “le cinématographe”, foi o último contributo dado pela civilização, em favor das Artes e das Letras, ao concentrar em uma só forma, de um modo imaterial, todas as mais formas de expressão artística.
- Manoel de Oliveira, Ditos e Escritos (2005)
Nesta terceira edição do ciclo Modos de Rever veremos filmes que mostram como cineastas de diferentes períodos mergulharam na cultura pictórica deixando-se influenciar, ou mesmo contaminar, pelas artes visuais. Do Renascimento ao Contemporâneo, do Romantismo ao Impressionismo, do Surrealismo à Pop, vários trouxeram para o grande ecrã imagens que antes viveram na pintura.
Manoel de Oliveira foi dos cineastas que melhor e mais cedo percebeu a importância da imagem (comum à pintura e ao cinema) ao ver o cinema como “um monumento sustentado por quatro colunas, à maneira de um templo grego, a primeira coluna seria a da imagem”. Como ensinou Aby Warburg, as imagens sobrevivem através de diversos meios. E assim, quando vemos filmes somos atravessados por essa sensação de déjà vu: cada um de nós, diante de um filme, faz associações entre imagens cinematográficas e imagens pintadas.
Godard, que entendeu essa herança da pintura, num dos primeiros capítulos de Histoire(s) du Cinéma (1988/98), apresenta o cinema “como herdeiro dos movimentos artísticos e das técnicas do século XIX (fotografia)” e referiu que “os jovens cineastas da nouvelle vague são os jovens da libertação do museu”. E, na sua Introdução a uma verdadeira história do cinema, Godard clarifica que “o que acho interessante no cinema é que não é preciso inventar absolutamente nada. Nesse sentido, aproxima-se da pintura: na pintura nada se inventa: corrige-se, coloca-se, junta-se; nada se inventa”.
Nesta edição do ciclo Modos de Rever, ao longo de oito sessões, de Pasolini a Oliveira, passando por Hitchcock, Renoir, Kurosawa, Syberberg, Greenaway, Antonioni, vamos percorrer os labirintos que ligam diversos períodos da história da arte à história do cinema. O ciclo começa com Decameron de Pasolini numa evocação do Renascimento e termina com Os Canibais de Oliveira, numa alegoria do contemporâneo.