GONÇALO PENA

BARBER SHOP
Galeria Contemporânea
02 JUN - 10 OUT 2021
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A exposição de Gonçalo Pena, Barber Shop..., vulgo ‘Barbearia’ em português..., segue as investidas fictícias meta-metafóricas de um cidadão cuja ocupação é ser barbeiro na terra de bárbaros lusitanos. À semelhança de outros esteticistas, tal amanuense da tesoura e do pente nutre pelas belas-artes como pelos bons costumes a maior das considerações esforçando-se por nunca desfear nem maltratar um freguês. Infelizmente, nem sempre tal é possível. Como se sabe, uns há que são perpetuamente feios, outros que qualquer mise os faz belos, e outros que são sempre assim-assim. Claro está! nem todo o freguês fica bem na fotografia. Um homem do pêlo tem de fazer pela vida, mas sem ovos não se confecionam rabanadas. A exposição junta uma súmula dos recentes anos de desenhista do artista. São desenhos sobre as más e bem parecenças, externas e internas, da nossa humilde Lusitânia freguesia e vizinhança. Uns a lápis de cor, outros a grafite, também os há a tinta chinesa. Se o visitante se der ao trabalho, um ou outro desenho têm o que se leia, até porque o artista gosta de se comentar a si próprio e fá-lo com jeito e graça. Noutros, mal se reconhece o que ali está representado, é quase abstrata a estética da obra. Se nos visitarem no verão é certo que verão: porcos bísaros e chouriças, um cavalheiro em gestação, as barbas persas do diabo, focas cujos óculos não focam, a língua áspera da lua, um génio do cigarro e não da lâmpada, o vento meteórico dos indígenas das índias, o crescente fértil, a ponta venérea da flecha de cupido, a rainha branca e o rei do gelo, um canalha cobói e um cangalho, um tigre a dormir outro assustador e outro que gosta de canja de galinha, uma vitamina chamada aspirina, um enfermo dois enfermos três enfermos e uma enfermeira, vários estilos de alopecia e perucas e bigodaças façanhudas, um rato-queijo, um gelado mal disposto, agora sim, um génio da lâmpada lamparina, chapéus em forma de tetina, uma lista de génios germânicos e de fidalgos sábios franceses, um deus dois deuses muitos deuses, um cabaz das Caldas, o reflexo num espelho estilhaçado, o tico e o teco, um rato na toca, dois limões, uma ilha de melões meloas e melancias, o senhor falópio, a pipi das meias altas, o abominável alce das neves, a zebra de Tróia, a Celeste, essa jovem reacionária, as diferenças entre o papá português e o papá estrangeiro, um pénis prismático do espaço, etc e tal... enfim, 10.000 anos de vandalismo, a barbárie!

 

A exposição é libertária, mal era que não fosse.

Oxalá, se conseguirem, venham ver.


Com curadoria de João Maria Gusmão.

Roteiro da Exposição

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BARBER SHOP

A exposição de Gonçalo Pena, Barber Shop..., vulgo ‘Barbearia’ em português..., segue as investidas fictícias meta-metafóricas de um cidadão cuja ocupação é ser barbeiro na terra de bárbaros lusitanos. À semelhança de outros esteticistas, tal amanuense da tesoura e do pente nutre pelas belas-artes como pelos bons costumes a maior das considerações esforçando-se por nunca desfear nem maltratar um freguês. Infelizmente, nem sempre tal é possível. Como se sabe, uns há que são perpetuamente feios, outros que qualquer mise os faz belos, e outros que são sempre assim-assim. Claro está! nem todo o freguês fica bem na fotografia. Um homem do pêlo tem de fazer pela vida, mas sem ovos não se confecionam rabanadas. A exposição junta uma súmula dos recentes anos de desenhista do artista. São desenhos sobre as más e bem parecenças, externas e internas, da nossa humilde Lusitânia freguesia e vizinhança. Uns a lápis de cor, outros a grafite, também os há a tinta chinesa. Se o visitante se der ao trabalho, um ou outro desenho têm o que se leia, até porque o artista gosta de se comentar a si próprio e fá-lo com jeito e graça. Noutros, mal se reconhece o que ali está representado, é quase abstrata a estética da obra. Se nos visitarem no verão é certo que verão: porcos bísaros e chouriças, um cavalheiro em gestação, as barbas persas do diabo, focas cujos óculos não focam, a língua áspera da lua, um génio do cigarro e não da lâmpada, o vento meteórico dos indígenas das índias, o crescente fértil, a ponta venérea da flecha de cupido, a rainha branca e o rei do gelo, um canalha cobói e um cangalho, um tigre a dormir outro assustador e outro que gosta de canja de galinha, uma vitamina chamada aspirina, um enfermo dois enfermos três enfermos e uma enfermeira, vários estilos de alopecia e perucas e bigodaças façanhudas, um rato-queijo, um gelado mal disposto, agora sim, um génio da lâmpada lamparina, chapéus em forma de tetina, uma lista de génios germânicos e de fidalgos sábios franceses, um deus dois deuses muitos deuses, um cabaz das Caldas, o reflexo num espelho estilhaçado, o tico e o teco, um rato na toca, dois limões, uma ilha de melões meloas e melancias, o senhor falópio, a pipi das meias altas, o abominável alce das neves, a zebra de Tróia, a Celeste, essa jovem reacionária, as diferenças entre o papá português e o papá estrangeiro, um pénis prismático do espaço, etc e tal... enfim, 10.000 anos de vandalismo, a barbárie!

 

A exposição é libertária, mal era que não fosse.

Oxalá, se conseguirem, venham ver.


Com curadoria de João Maria Gusmão.

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