Auto dos anfitriões
Obras da Coleção da Fundação Leal Rios na Coleção de Serralves
Inauguração da exposição | 22.01 | 22:00 | Entrada gratuita

Inês Botelho | Sem título, 2003/2026 | Vista do processo de produção | Foto: Filipe Braga
Christian Andersson, Becky Beasley, Inês Botelho, Fernando Calhau, Luís Paulo Costa, José Escada, Dénes Farkas, Ângela Ferreira, Marcius Galan, John Wood & Paul Harrison, Adelina Lopes, João Louro, Daniel Malhão, Anthony McCall, Susana Mendes Silva, Jonathan Monk, Benoît-Marie Moriceau, Henrique Pavão, Mauro Restiffe, Rui Sanches, Rui Toscano, Francisco Tropa, Lawrence Weiner
A Coleção Leal Rios, construída pelos irmãos Manuel e Miguel Leal Rios desde 2003, foi parcialmente depositada em Serralves em 2021. Este conjunto de obras é muito significativo por várias razões: porque representa um verdadeiro pensamento (uma perspetiva muito particular sobre a arte das últimas duas décadas), podendo por isso ser identificado como uma coleção (o que é muito diferente de uma mera reunião de obras); porque traz para Serralves um conjunto de obras de artistas que já integravam a Coleção (fruto de aquisições ou de depósitos anteriores), adicionando aspetos que permitem compreender melhor os seus respetivos percursos e ajudando, desta forma, a Fundação a alcançar um dos grandes objetivos do seu labor colecionista, que passa por ter núcleos significativos de obras de determinados artistas; porque acrescenta à Coleção de Serralves artistas e obras que permitem ampliar e enriquecer as perspetivas sobre a produção artística de períodos em que ela é porventura menos fértil, nomeadamente os anos 2010; porque ultrapassa largamente a escala doméstica que é fatalmente associada a coleções privadas portuguesas — o que é em parte explicável pela constituição de uma Fundação que funcionou paralelamente à coleção e que tem, desde 2011, um espaço físico em Lisboa onde as obras puderam ser expostas, guardadas e conservadas (o que não impede que uma parte significativa das obras apresentadas em Auto dos Anfitriões, cuja instalação implica verdadeiras condições museológicas — equipas de montagem e áreas de exposição —, esteja a ser mostrada — ao público, mas também aos próprios compradores — pela primeira vez desde o momento em que foram adquiridas.
O título desta exposição recupera o de uma peça teatral do poeta português do século XVI Luís Vaz de Camões (adaptada de um texto do poeta da época romana Plauto, até hoje inspiração para dramaturgos, encenadores, compositores e realizadores de cinema) — e, com ele, uma história de derivações, pilhagens e desvios. Evoca imediatamente três das características que singularizam a exposição da Coleção Leal Rios: em primeiro lugar, sublinha a vocação hospitaleira de Serralves, e acrescenta sentido à ideia de que a sua Coleção é uma “coleção de coleções”; por outro lado, defende a confluência de tempos e geografias (frutos dos tais “derivações, pilhagens e desvios”) como uma das características partilhadas pela dramaturgia e a arte contemporânea; em último lugar, apela ao teatro, e a certos textos em torno desta disciplina, como forma de iluminar determinados aspetos das práticas artísticas contemporâneas.
A exposição, organizada pela Fundação de Serralves, é comissariada por Ricardo Nicolau e tem coordenação de Isabel Braga.