3 contra 2: Psico Trópicos
Improvável Produções / Marcela Levi & Lucía Russo
7,50 euros
50% para Estudante/Jovem, Maiores de 64 e Amigos de Serralves

Os ritmos de 3 contra 2 são uma polirritmia muito presente na música afro-brasileira e na música eletrônica. No discurso feminista, a noção de polirritmia é usada para visualizar o ritmo de grupos tradicionalmente ignorados e para desafiar as histórias que foram escritas do ponto de vista de um ritmo que se fez dominante. 3 contra 2: Psico Trópicos, criação recente da Improvável Produções, toma emprestado da música a noção de polirritmia - a justaposição de ritmos - para pensar-praticar a convivência entre diferentes de forma não separatista, permitindo assim que ritmos diferentes soem juntos e produzam outros acordes. Segundo o pensador indígena Ailton Krenak, a floresta tropical é teia de vidas entrelaçadas. Na floresta os caminhos são curvos. Há sombras, há as plantas que matam e as que curam, as rasteiras e as frondosas. A floresta balança, é cheia de meandros, desníveis, sons, muitos sons. A Floresta delira, sob a terra as raízes tramam, perfuram e enredam seus braços que crescem para baixo, para cima e para os lados. A floresta tropical sussurra mitos, pulsa e expulsa rumores e miragens: Psico Trópicos. A floresta é cruzo, é polirritmia. 3 contra 2: Psico Trópicos é um exercício de imaginação que busca entrelaçar distâncias. A peça é tecida entre três performers como uma rede onde linhas em tensão e distorções temporais contornam espaços vazios, intervalos, suspensões, pausas, espaços de ressonância de uma narrativa não linear que busca aproximar geometria e psicodelia. O estilo Old way do movimento Vogue é caracterizado pela formação de linhas, simetria e precisão e é inspirado nos hieróglifos egípcios. L’Après-midi d’un faune, a primeira coreografia de Nijinsky foi inspirada nos movimentos de frisos gregos, afrescos egípcios e assírios. Em ambos, Old Way e L’Après-midi d’un faune, o erótico está fortemente presente. E se o Fauno, entidade híbrida e encantada das florestas, dos mitos e do balé de Nijinsky, se cruzar com a geometria Queer do estilo Old way do movimento Vogue e com rotações e serpenteios inspirados em Oxumaré, orixá feminino e masculino que se move entre o céu e a terra?
Concept and Direction Marcela Levi & Lucía Russo
Performance and Co-creationLucas Fonseca (Legendary 007), Martim Gueller and Romec
Text Joana Levi
Assistance Lucas Fonseca
Body Preparation Lucas Fonseca, Lucía Russo and Marcela Levi
Technical Direction and Lighting Design Laura Salerno
Sound Design Levi, Russo and Gueller
Costume Design Levi & Russo
Sound Technician Luciano Siqueira
Production Improvável Produções
Co-production Julidans, CCN de Caen en Normandie (within the framework of the Accueil-studio program), Sítio Canto da Sabiá and Something Great
Support Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro / Municipal Secretariat of Culture, O Rumo do Fumo, and Retomada Cultural RJ 2 / State of Rio de Janeiro / State Secretariat of Culture and Creative Economy
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Em 2010, as coreógrafas Marcela Levi (Rio de Janeiro, Brasil) e Lucía Russo (Patagónia, Argentina) fundaram, no Rio de Janeiro, a Improvável Produções, uma plataforma de formação, pesquisa e criação. Levi & Russo apostam em uma direção polifônica em que diferentes posições inventivas se entrecruzam em um processo que acolhe linhas desviantes, dissenso e diferenças internas como força crítica construtiva e não como polaridades autoexcludentes. Com um repertório que cruza danças, músicas, vozes e pensamentos de diferentes tempos e lugares, a Improvável afirma a dança contemporânea como um campo expandido de convivência, invenção e pensamento crítico. A Improvável é responsável, entre outros, pela conceção, criação e produção das peças de dança "Natureza Monstruosa" (2011, Fomento à Dança, SMC RJ, 2011 + Iberescena 2011 + Circuito Estadual das Artes, SEC 2012); “Mordedores” (2015) incluído na lista do jornal O Globo como um dos espetáculos de dança de destaque em 2015 (Coprodução Iberescena / Funarte 2014 + Fomento a Cultura Carioca 2014 | SMC + Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna, 2015); “Boca de Ferro” (2016) incluído na lista do jornal O Globo como um dos espetáculos de dança de destaque em 2018 e indicado ao Prêmio Cesgranrio de Dança nas categorias “melhor coreografia” e “melhor bailarino”; “Deixa Arder” (2017) incluído na lista do jornal O Globo como um dos espetáculos de dança de destaque em 2017; “HARM-ONY” (2018) coprodução fundo Iberescena/Funarte e NAVE (Santiago do Chile); “c h ãO | grrRoUNd” (2021) coprodução Kunstenfestivaldesarts, Kaaitheater, Julidans, Pact Zollverein e Something Great; “3 contra 2: Psico Trópicos” (2023) coprodução Julidans, Centre Chorégraphique National de Caen en Normandie e Something Great, “o que é o coro. coro” (2024) peça comissionada para os 32 bailarinos do Balé da Cidade de São Paulo e “Fora de Quadro” (2025) Indicada ao Prêmio Internacional Rose, do Sadler’s Wells, Londres (segunda edição, 2027); pela intervenção urbana “Sandwalk with me” (2012) desenvolvida entre Londres e Rio de Janeiro com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura do RJ e com a coprodução do Festival Panorama 2013; pela leitura coletiva “Palavras Dadas” (2021) com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro através da Lei Aldir Blanc e pelo filme “curto, curto, longo e às vezes curto, longo, curto” (2021) coproduzido pelo Panorama Raft. Paralelamente ao núcleo de criação, Levi & Russo orientam workshops em centros de arte e universidades no Brasil e no exterior.