May B
FOCUS MAGUY MARIN
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Adulto não residente em Portugal: 15€
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MAGUY MARIN
MAY B
coreografia Maguy Marin
10 intérpretes da Cia Maguy Marin
música Franz Schubert, Gilles de Binche, Gavin Bryars
figurinos Louise Marin
luz Compagnie Maguy Marin
duração 1h30
Criação em 1981 / Théâtre Municipal d’Angers
Esta peça a partir da obra de Samuel Beckett, cuja gestualidade e atmosfera teatral entram em contradição com a performance física e estética do bailarino, permitiu-nos criar as bases para uma decifração secreta dos nossos gestos mais íntimos, escondidos, menosprezados. Conseguir detectar esses gestos minúsculos ou grandiosos da multidão das vidas quase impercetíveis, banais, nas quais a espera e a imobilidade «não inteiramente» imóvel abrem um vazio, um vasto nada, uma extensão de silêncio cheio de hesitações. Quando as personagens de Beckett aspiram à imobilidade, não conseguem evitar mover-se; muito ou pouco, movem-se. Neste trabalho, à partida teatral, o que nos interessou foi desenvolver não tanto a palavra ou a fala, mas o gesto na sua forma explodida, na procura do ponto de encontro entre, por um lado, a gestualidade mais estritamente teatral e, por outro, a dança e a linguagem coreográfica.
Maguy Marin
MAY B hoje
por Jean- Paul Manganaro
«May B» é um relato distante, remoto, que surge de um tempo sem época, de uma vida sem ordem nem medida, de uma tensão enterrada nos devaneios do estranho, sem memória, sem história. A força e a potência de May B residem na capacidade de contar histórias de ruturas constitutivas, de partos e de infância, de grunhidos e gritos culminando no arco da sua narrativa — antiteatral pela sua extrema teatralização — na reconstituição de uma parada perfeitamente expressionista. É uma fábula matricial do corpo e dos corpos-a-corpo que põe em jogo, na sua recusa da narrativa, a forma da errância pelo continuo que gera e deixa surgir o dionisíaco como forma de moldar a continuidade de emoção e comoção, alcançadas pela cauda endiabrada do humor.
Ao mesmo tempo, May B consegue inscrever, na invenção de uma forma lírico-grotesca, a renovação daquilo que é «dançar», tendo em vista todas os possíveis que «dançar» oferece, e recolocando-as num jogo que acaba por arrastar a dança para dentro da dança. E a viagem que conclui a ação reúne em algumas malas as escórias da história de cada pessoa que parte para um destino sem destino. Como a ladainha final, repetida infinitamente num lamento balbuciante, cola e redistribuí todas as fraturas: os bailarinos devolvem a cada pessoa da plateia a imagem onírica dos Eldorados e das Terras Prometidas, bem como as soluções possíveis para uma história que afoga toda a angústia.

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Born in Toulouse, the dancer and choreographer Maguy Marin studied classical dance at the Toulouse Conservatoire before joining the Strasbourg Ballet and then Mudra (Brussels), Maurice Béjart’s multidisciplinary school. In 1978, she founded the Ballet-Théâtre de l’Arche with Daniel Ambash, which became the Compagnie Maguy Marin in 1984. The Centre chorégraphique national de Créteil et du Val-de-Marne was established in 1985: there, she continued her tireless artistic work and intensive touring programme around the world. In 1987, her meeting with the musician and composer Denis Mariotte marked the beginning of a decisive collaboration that broadened the scope of her artistic experimentation. A new base was established in 1998, at the new Centre Chorégraphique National in Rillieux-la-Pape. A sense of «us, in time and place» that strengthens our ability to bring forth «those diagonal forces resistant to oblivion» (H. Arendt). The year 2011 marked a re-examination of the ways in which the company’s reflection and work were carried out. Following the intensity of the years spent at the CCN in Rillieux-la-Pape, the need arose for a new phase to continue opening up the immaterial space of a «commons» that stubbornly sought to assert itself. Following a three-year spell in Toulouse, the idea of setting up at Ramdam – a former wood workshop acquired in 1995 through royalties in Sainte-Foy-lès-Lyon – had taken shape. The company’s move to this venue in 2015 marked the start of an ambitious new project in collaboration with the current team at RAMDAM CENTRE FOR THE ARTS.
