Performance

SINGSPIELE

FOCUS MAGUY MARIN

Auditório do Museu
22 NOV 2026 | 18:00

Bilhete individual: 7,5€ Estudante/Jovem, maiores de 64 e Amigos de Serralves: 3,75€

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2211 SINGSPIELE
S. Rouaud

SINGSPIELE

conceção Maguy Marin

intérprete David Mambouch

cenografia Benjamin Lebreton

luz Alexandre Bénéteaud

criação sonora David Mambouch

som Antoine Garry

apoio à realização dos figurinos Nelly Geyres

produção delegada Extrapole

1h


«A história de cada pessoa faz-se através da sua necessidade ilimitada de ser reconhecida; a amizade designa essa capacidade infinita de reconhecimento. Imaginar que essa necessidade constante seja a do outro, que o outro, tal como nós próprios, esteja à mercê dessa exigência e empenhado em obter resposta, que se devore a si próprio e que fique como um animal se a resposta não vier, é a isso que nos devemos obrigar e é esse o inferno da vida quando lhe falhamos. O caminho do reconhecimento é o infinito: damos dois passos, não-se-pode.-fazer-tudo, mas ninguém se atreve a justificar, a não ser com um pouco de cinismo, o recuo perante tal tarefa…» (1)

Foi a partir deste fragmento de um texto de Robert Antelme que quisemos, neste trabalho, dar espaço e atenção a rostos, anónimos ou reconhecíveis, que, ao surgirem, captam o nosso olhar com a estranheza de uma perceção, no imediato inteligível. Um trabalho de escuta do que, de forma precisa ou confusa, estes rostos nos dizem dos seus corpos ausentes, a história particular que estes rostos mudos carregam e que nos escapará sempre. Falam-nos de um lugar que Jean-Luc Nancy denomina «o falar da falta de palavra», um lugar «antes ou após a palavra». (2)

Que mistérios irredutíveis se escondem por trás desta constelação de sensações que nos vem no contacto com o outro? Com o rosto do outro? Uma epifania que transborda as suas expressões, revelando então o invisível de um indivíduo singular ali diante de nós.

Maguy Marin


( ) Robert Antelme : Les principes à l’épreuve, artigo publicado a 14 de Julho de 1958 na revista « le 14 juillet » criada por Dionys Mascolo e Jean Schuster, incluído em « Robert Antelme - textes inédits sur « L’espèce humaine » essais et témoignages » - éditions Gallimard-

(2) Nancy, J.-L., Penser l’image, Paris, Les Presses du réel, 2010. p. 68-69


Quem é esta personagem de mil rostos que encarna a multidão de pessoas e de olhares enquanto se desloca lentamente da direita para a esquerda do palco? O enigma permanece intacto, pois a cada rosto que assume, logo surge outro. Assim, diante dos nossos olhos desenrola-se o cativante espetáculo de um indivíduo que se figura e se desfigura, vestindo sucessivamente todo o tipo de roupas e acessórios a um ritmo implacavelmente calculado. Na sua solidão, o homem que dá vida a estes novos traços combina-os com gestos e atitudes que, todas as vezes, revelam um novo significado, uma perspetiva antes ignorada, uma narrativa inesperada. Mas é também uma subversão permanente dos códigos e das funções que lhe estão associados. O masculino desliza para o feminino, a estátua de um guerreiro antigo torna-se Pietà, o homem comum prostrado ergue-se em besta mediática. David Mambouch, extraordinário intérprete desta performance, é absolutamente fascinante nas suas transformações «à vista».

Agnès Izrine






2211 SINGSPIELE

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David Mambouch

A member of the resident company at the TNP in Villeurbanne until 2010, he took part in numerous productions directed by Christian Schiaretti. He also appeared in Mère & fils by Joël Jouanneau, directed by Michel Raskine. As a director, he has directed the Harold Pinter Club project and Oracle de Saint-Foix. As a playwright, he has written several plays, including Kaveh Kanes, Terrible, Noires Pensées and Mains Fermes, which he staged at the Théâtre Les Ateliers in Lyon. His play Premières Armes was staged by Olivier Borle at the TNP in Villeurbanne. He also writes screenplays and directed numerous short films, including La Grande Cause, an episode film co-directed with Olivier Borle. He has also appeared in films, notably alongside Agnès Jaoui in La Maison de Nina (2004). Since 2012, he has been working with the Compagnie Maguy Marin, both as director for the film nocturnes, based on the eponymous play, and as a performer in new stagings of May B and Umwelt. In 2013, he started working with Maguy Marin and Benjamin Lebreton on the research for a new project, Singspiele.

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